Famílias de São Paulo começam o ano mais confiantes e dispostas a consumir, indica FecomercioSP

Famílias de São Paulo Iniciam o Ano Mais Confiantes e Dispostas a Consumir, Aponta FecomercioSP

O ano começou com continuidade na retomada do consumo, mesmo sob pressão das despesas típicas de início de ano e dos juros ainda elevados. De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) – que mede o humor e a disposição imediata para comprar – subiu 2,4% em janeiro frente a dezembro, chegando a 115,4 pontos. Já o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), que reflete a percepção sobre o ambiente econômico e as expectativas de mais longo prazo, também avançou 2,4% no mês, alcançando 127,4 pontos.

Segundo a FecomercioSP, os números de janeiro apontam para uma recuperação gradual da intenção de consumo e um ambiente mais otimista, um movimento típico do começo do ano. Esse quadro é sustentado por um mercado de trabalho ainda resiliente, maior estabilidade da renda e avanços pontuais no acesso ao crédito. A entidade, no entanto, chama atenção para o fato de que o cenário macroeconômico segue marcado por incertezas, especialmente por conta do calendário eleitoral, que tende a aumentar a percepção de risco fiscal e pode influenciar as decisões em torno da taxa Selic.

Mercado de trabalho e renda sustentam confiança das famílias No resultado agregado, o ICF de janeiro foi impulsionado principalmente pela melhora nos indicadores de emprego atual, acesso ao crédito, nível de consumo corrente e avaliação sobre o momento para compra de bens duráveis. Esse desempenho está diretamente ligado ao mercado de trabalho, que, embora dê sinais de perda de fôlego no ritmo de alta, ainda opera com nível robusto de ocupação, apoiado pela renda disponível e por uma percepção de menor risco no curto prazo.

Na análise por faixa de renda, o avanço foi mais forte entre as famílias com renda de até dez salários mínimos, que alcançaram 114,2 pontos – alta de 2,7% no mês e expressivo crescimento de 7,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Esse grupo depende mais da renda corrente e das condições do mercado de trabalho, de modo que qualquer melhora na ocupação ou na renda tem efeito direto sobre a intenção de consumo, sobretudo em segmentos de menor tíquete médio.

A visão mais positiva sobre o momento para compra de bens duráveis também é influenciada pela sazonalidade: janeiro é tradicionalmente um mês de liquidações no varejo, o que reforça o otimismo em relação a itens de maior valor, geralmente atrelados ao crédito.

Entre as famílias com renda acima de dez salários mínimos, o índice se manteve em patamar elevado, com 118,7 pontos. O avanço mensal foi mais moderado (1,7%), e na comparação anual houve recuo de 4,2%, apontando para uma postura mais cautelosa. Esse público costuma ser mais sensível a variáveis como condições financeiras, incerteza fiscal e cenário macroeconômico em geral.

Apesar da melhora pontual da confiança no curto prazo entre os que ganham acima de dez salários mínimos, todos os componentes do indicador tiveram queda na comparação interanual. Isso indica que, mesmo com maior capacidade financeira, essas famílias continuam mais conservadoras e tendem a adiar decisões de consumo de maior valor, sobretudo as dependentes de crédito.

Crédito caro ainda limita o consumo O desempenho do ICC reflete o alívio gradual da inflação ao longo de 2025, o que reduz a sensação de perda de poder de compra. A resiliência do mercado de trabalho e a manutenção da renda disponível também ajudam a sustentar a confiança, mesmo em um período pressionado por despesas obrigatórias, como IPVA, IPTU, gastos escolares e o pagamento de compras feitas no fim do ano anterior.

Entre as famílias com renda inferior a dez salários mínimos, a recuperação da confiança foi mais intensa. O índice chegou a 125,3 pontos, alta de 3,2% no mês e de 2,5% em relação a janeiro do ano passado. Esse movimento foi puxado pelo Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA), que subiu 5,9% na margem e 4,9% na comparação anual. Como o consumo desse grupo está mais ligado ao fluxo imediato de renda, as melhorias conjunturais se convertem mais rapidamente em aumento de confiança.

Nas famílias com renda igual ou superior a dez salários mínimos, o ICC permaneceu em nível alto, com 131,8 pontos, e cresceu 4,6% na comparação anual. Porém, o ICEA recuou tanto no mês (-1,7%) quanto no ano (-1,5%), refletindo o impacto do crédito mais caro e dos juros ainda em patamar restritivo, fatores que pesam nas decisões de maior valor.

No agregado, o ICEA atingiu 125,6 pontos, com alta mensal de 3,3%, indicando melhora na percepção sobre a situação atual. O avanço foi disseminado entre a maior parte dos grupos, com destaque para consumidores com 35 anos ou mais (alta de 3,8%) e mulheres (3,5%), embora o nível de confiança delas siga abaixo do registrado entre os homens.

Já o Índice de Expectativas (IEC) chegou a 128,6 pontos, com crescimentos de 1,8% no mês e 3,5% no ano, consolidando-se como o principal pilar de sustentação da confiança do consumidor. A alta sugere uma visão mais favorável quanto à continuidade da desaceleração inflacionária e à perspectiva de um ambiente econômico menos restritivo adiante.

Para o varejo, a FecomercioSP avalia que o cenário é de maior dinamismo em segmentos de menor tíquete médio e em bens essenciais, enquanto o consumo de duráveis continua diretamente condicionado à trajetória dos juros.