O financiamento de veículos no Brasil avançou 2% em fevereiro de 2026, alcançando 575 mil unidades entre leves, pesados e motocicletas, segundo dados da Trillia, unidade de análise do mercado automotivo. No acumulado do primeiro bimestre, foram 1,165 milhão de veículos financiados, alta de 3,3% em relação ao mesmo período de 2025, o que reforça o papel do crédito automotivo como motor da demanda por mobilidade no país.
Na comparação com janeiro, porém, o ritmo perdeu fôlego: o volume total recuou 6,1%. O movimento foi puxado principalmente pela queda de 10,2% nos financiamentos de usados, enquanto os veículos novos registraram leve alta de 0,8%. A leitura do setor é que essa retração está ligada, sobretudo, ao menor número de dias úteis em fevereiro, sem sinalizar enfraquecimento consistente da demanda.
Para as empresas de crédito e montadoras, o desempenho é positivo, mas ainda pede prudência. Enilson Sales, presidente da ANEF (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras), avalia que é prematuro falar em recuperação sólida do mercado: “Com apenas dois meses de dados, conseguimos apontar uma tendência, mas não cravar uma retomada. Além disso, o cenário internacional – com a guerra entre Rússia e Ucrânia e o conflito envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã – pode pressionar preços de petróleo e de componentes, com reflexos diretos na produção e na distribuição”, observa.
No varejo, a força dos usados permanece como movimento estrutural. Segundo Sales, a carga tributária mais pesada sobre veículos zero quilômetro amplia a distância de preço e mantém a atratividade dos seminovos e usados, que vêm crescendo de forma mais consistente que os novos ano após ano. “Os veículos usados se tornaram a estrela do comércio de veículos”, resume.
Para 2026, a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) projeta crescimento de 6,1% no mercado automotivo como um todo, com avanço de cerca de 3% no segmento de automóveis e expansão ainda mais forte nas motocicletas. A entidade representa concessionárias e distribuidoras de veículos em todo o país.
Mesmo assim, Sales pondera que essas projeções podem ser revistas se o preço dos combustíveis continuar em patamar elevado. Segundo ele, a alta de combustíveis tende a encarecer o frete, o custo de produção e a logística, afetando toda a cadeia automotiva, do fornecedor ao consumidor final.
Estados que mais produzem veículos
A produção de veículos no Brasil segue concentrada em alguns polos industriais estratégicos. São Paulo lidera com folga, reunindo fábricas de GM, Volkswagen, Toyota e outras montadoras, e responde por quase metade da produção nacional. Minas Gerais e Paraná aparecem como hubs importantes tanto para montagem quanto para a indústria de autopeças.
Outros estados também ganham relevância nesse mapa industrial. Rio Grande do Sul, Bahia e Ceará contam com unidades dedicadas à produção de caminhões, utilitários e automóveis, consolidando o setor automotivo como um dos pilares da atividade econômica regional e nacional, com forte impacto em emprego, renda e arrecadação.















