O índice de evolução da produção industrial recuou 3,5 pontos, de 44,4 em novembro para 40,9 em dezembro. Foi o pior resultado para um mês de dezembro desde 2018, segundo a Sondagem Industrial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira (26).
A queda da produção entre novembro e dezembro é um movimento sazonal, mas desta vez o recuo foi mais forte e mais disseminado em 2025.
“Os dados reforçam o diagnóstico de desaceleração da indústria, que já vínhamos observando há algum tempo. Os estoques seguem acima do planejado pelas empresas, o que indica frustração com o nível de vendas e uma desaceleração da demanda mais intensa do que se previa”, afirma o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.
O emprego industrial também encolheu além do normal para o período. O índice de evolução do número de empregados fechou dezembro em 46,9 pontos. Como está abaixo da linha de 50 pontos, o indicador confirma redução do quadro de pessoal em relação a novembro.
A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) reforça o cenário de perda de ritmo. O indicador caiu 4 pontos percentuais de novembro para dezembro, para 66%, o nível mais baixo para um mês de dezembro desde 2017.
No lado dos estoques, o índice de evolução do estoque efetivo em relação ao usual recuou 0,1 ponto, para 50,6 pontos. O resultado ainda aponta excesso de estoques frente ao planejado pelas empresas.
Condições financeiras melhoram no 4º trimestre
Apesar do ambiente mais fraco na produção, as condições financeiras da indústria registraram leve melhora no último trimestre de 2025. O índice de satisfação com a situação financeira das empresas passou de 48,9 pontos no terceiro trimestre para 50,1 pontos no quarto trimestre. Com isso, os empresários deixaram a zona de insatisfação e migraram para um patamar de neutralidade em relação ao caixa.
De forma semelhante, o índice de satisfação com o lucro operacional avançou 0,9 ponto no quarto trimestre, chegando a 44,5 pontos. O indicador permanece bem abaixo de 50, sinalizando insatisfação com a lucratividade, mas a alta reduz a percepção negativa.
O índice de facilidade de acesso ao crédito ficou em 40,9 pontos, o maior valor de 2025. Ainda assim, segue distante dos 50 pontos, o que indica que obter financiamento continua sendo um grande desafio para o setor.
Já o índice de evolução do preço médio das matérias-primas subiu 0,1 ponto no quarto trimestre, para 55,3 pontos. O patamar ainda aponta aumento de custos, porém em ritmo menor que no fim de 2024, quando o indicador chegou a 64,2 pontos.
Carga tributária, juros e demanda fraca seguem como principais entraves
Os três principais problemas apontados pela indústria no quarto trimestre de 2025 foram os mesmos observados ao longo de todo o ano.
A carga tributária elevada permanece em primeiro lugar, citada por 41,1% dos empresários, alta de 3,3 pontos percentuais em relação ao terceiro trimestre.
Os juros altos seguem na segunda posição, mencionados por 28% das empresas, levemente acima dos 27,3% do trimestre anterior.
A demanda interna insuficiente, embora ainda relevante, perdeu espaço: passou de 28,8% para 26,8% das menções, fechando a lista dos três principais entraves.
Esses três fatores lideraram o ranking de problemas da indústria em todos os trimestres de 2025.
Expectativas melhoram
Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, todos os índices de expectativas avançaram, em linha com o movimento típico de virada de ano.
– O índice de expectativa de demanda por produtos industriais subiu de 50,2 para 52,7 pontos; – O índice de expectativa de compras de insumos e matérias-primas passou de 49,2 para 52 pontos.
Os números indicam que os empresários projetam aumento na demanda por bens industriais e na aquisição de insumos e matérias-primas nos próximos seis meses.
– O índice de expectativa para o número de empregados avançou de 49 para 49,9 pontos; – O índice de expectativa de quantidade exportada aumentou 1,7 ponto, de 48,4 para 50,1 pontos.
Esses indicadores sugerem tendência de estabilidade no emprego e nas exportações da indústria no horizonte semestral, com leve viés positivo no caso das vendas externas.
Intenção de investimento volta a cair
Depois de três altas consecutivas, a intenção de investimento recuou 0,2 ponto: passou de 55,9 em dezembro de 2025 para 55,7 pontos em janeiro de 2026. O indicador começa o ano dois pontos abaixo do nível registrado no início de 2025, mostrando um setor mais cauteloso na hora de planejar novos aportes em capacidade, tecnologia e expansão.














