As famílias paulistanas começaram 2026 com menos pressão nas contas. O endividamento e a inadimplência na cidade, medidos pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), ficaram tecnicamente estáveis em relação a dezembro: em janeiro, 68,9% dos lares tinham algum tipo de dívida e 19,9% estavam com contas em atraso. No mês anterior, os índices eram de 69% e 20%.
Na comparação com janeiro de 2024, o percentual de famílias endividadas subiu 1,7 ponto porcentual (de 67,2% para 68,9%). Já a inadimplência praticamente não mudou: era de 19,6% há um ano e agora está em 19,9%.
Em números absolutos, mais de 3 milhões de famílias estão endividadas na capital paulista, das quais cerca de 892 mil têm contas em atraso.
Segundo a FecomercioSP, a inflação mais controlada e o mercado de trabalho ainda aquecido ajudam a manter as finanças familiares sob relativo controle. Por outro lado, o perfil de quem já está inadimplente piorou, o que pode limitar uma queda mais forte da inadimplência nos próximos meses.
O tempo médio de atraso nos pagamentos aumentou em janeiro para 64 dias, ante 62,6 dias em dezembro, permanecendo no mesmo patamar de janeiro do ano passado. A fatia de lares que dizem não ter condições de regularizar as dívidas também segue estável: 8,8% em janeiro, contra 8,6% em dezembro e 8,7% em janeiro de 2025.
Perfil por faixa de renda
A pesquisa mostra movimentos diferentes entre faixas de renda. Entre as famílias com renda de até dez salários mínimos, o endividamento caiu levemente de 73,2% para 72,8% na comparação com dezembro. No grupo que ganha acima de dez salários mínimos, houve pequena alta, de 57% para 57,6%.
Em relação a janeiro de 2024, porém, o endividamento cresceu para ambos os grupos: de 71,4% para 72,8% entre os que ganham até dez salários mínimos e de 54,9% para 57,6% entre os de renda superior.
Entre as famílias inadimplentes com renda de até dez salários mínimos, não houve variação relevante. Já no grupo de renda mais alta, o índice de inadimplência recuou de 8,8% para 8,4%.
Cartão de crédito ainda domina, mas perde força
O cartão de crédito continua sendo o principal responsável pelas dívidas das famílias paulistanas: 79,8% dos endividados o apontam como principal compromisso. O índice, porém, vem recuando — era de 80,6% em dezembro e de 83,1% em janeiro de 2024.
O financiamento imobiliário aparece em segundo lugar, com 16,8% de participação, próximo do recorde histórico de 16,9%. Em seguida vêm os carnês, citados por 12,8% dos endividados.
O prazo médio de comprometimento das dívidas permaneceu em sete meses, o mesmo de dezembro e abaixo dos 7,6 meses registrados em janeiro do ano passado. Já a parcela média da renda comprometida com dívidas ficou tecnicamente estável: 27,5%, ante 27,4% em dezembro.
PIX ganha espaço como meio de pagamento
Na escolha dos meios de pagamento, o PIX segue avançando e é visto como a opção mais vantajosa pelos consumidores. Em janeiro, a modalidade atingiu novo recorde, sendo apontada por 29,9% dos entrevistados como forma preferencial de pagamento. O cartão de crédito parcelado ficou em segundo lugar, com 24,7%.
Intenção de tomar crédito diminui
A pesquisa também registra queda na intenção de contratar crédito ou financiamento nos próximos três meses. O porcentual de entrevistados dispostos a assumir novos financiamentos recuou de 11,4% para 10,6%.
De acordo com a FecomercioSP, esse recuo reflete um comportamento típico do pós-Black Friday e pós-Natal, quando as famílias tendem a evitar novos compromissos financeiros para aliviar o orçamento.
Entre os que ainda pretendem tomar crédito, 83,5% dizem que o fariam para consumo, enquanto 11,9% afirmam que usariam os recursos para pagar dívidas já existentes.














