Com consumidor mais cauteloso no início do ano e estoques elevados nas lojas, descontos em veículos zero km crescem para estimular a demanda e acelerar o giro nas concessionárias
O mercado brasileiro de automóveis zero km começou 2026 com uma combinação de fatores que tem favorecido o consumidor nas negociações nas concessionárias. O pagamento do IPVA no início do ano, a redução do apetite de compra das famílias e o elevado nível de estoques nas revendas estão pressionando o setor a ampliar os descontos para destravar vendas e melhorar o giro dos pátios.
De acordo com o Estudo PVZ, Preços de Veículos Zero Km, realizado pela MegaDealer com dados da plataforma Auto Avaliar, o preço médio de venda dos veículos ficou em R$ 159.679 em janeiro, com descontos médios de 7,6% em relação ao valor sugerido pelas montadoras. O percentual representa o maior patamar desde junho do ano passado, quando havia atingido 7,7%.
A combinação entre início de ano, período tradicionalmente pressionado por despesas como IPVA, matrícula e seguros, e o cenário de crédito ainda restritivo tem levado consumidores a postergar decisões de compra, obrigando concessionárias a ampliar incentivos comerciais.
“O aumento na média de descontos, que subiu de 7% para 7,6% do preço sugerido (MSRP), indica que várias concessionárias fazem a conta da sua rentabilidade pelo preço de compra, e não pela reposição do estoque”, afirma Fábio Braga, country manager da MegaDealer.
Além da cautela dos consumidores, o setor enfrenta um cenário de estoques ainda elevados nas redes de concessionárias. O giro médio de estoque de veículos novos, que vinha se reduzindo nos últimos meses, subiu de 32 para 44 dias. Segundo Braga, parte desse movimento também reflete o período de transição entre anos-modelo e as férias coletivas nas montadoras.
“Esse período do ano costuma concentrar veículos remanescentes do ano anterior nos pátios das concessionárias. Quando o estoque aumenta e o consumidor está mais cauteloso por causa de despesas como IPVA, a tendência é que os descontos se ampliem para estimular a demanda”, explica.
No recorte por regiões do país, o Norte manteve o maior patamar de descontos, desta vez ao lado do Sudeste (RJ, MG e ES), ambos com média de 8,3%. No estado de São Paulo, analisado separadamente pelo estudo, o desconto médio foi de 8,1%. Já as regiões Nordeste (7,1%), Sul (6,9%) e Centro-Oeste (6,8%) registraram níveis de descontos abaixo da média nacional.
Outro ponto de destaque é a redução dos descontos entre veículos zero quilômetro das marcas chinesas especializadas em elétricos e híbridos, reflexo do aumento da demanda por esse tipo de motorização no país.
A GWM, por exemplo, saiu de um desconto médio de 1,1% em dezembro para 0,4% em janeiro, enquanto os modelos da BYD tiveram redução de 4,6% para 4% no mesmo período.
“Um movimento recente é a consolidação dos elétricos e híbridos chineses no mercado brasileiro como um todo, o que diminui a necessidade de descontos devido à grande procura pelos consumidores. Para se ter uma ideia, no mercado de usados essa categoria foi a mais rentável para as concessionárias em janeiro”, afirma J. R. Caporal, CEO da Auto Avaliar.
O estudo analisou indicadores-chave de performance coletados a partir de dados de mais de 50 mil operações de vendas realizadas no período. O PVZ já reúne informações de quase 700 mil vendas de veículos zero km, permitindo acompanhar a dinâmica de precificação e os níveis de desconto praticados em diferentes segmentos, modelos e regiões do país.
A parceria com a Auto Avaliar, plataforma líder no segmento B2B conectada a mais de 4 mil concessionárias, permite acessar diretamente os preços efetivamente praticados nas negociações com consumidores finais, oferecendo uma leitura mais precisa do comportamento do mercado automotivo brasileiro.

















