Mercado está aquecido para as oficinas automotivas de Minas Gerais

Mercado está aquecido para as oficinas automotivas de Minas Gerais


Durante 2025, demanda foi constante e no fim do ano cresce ainda mais, diz Sindirepa-MG; capacitação está estruturada e utiliza ecossistemas da Fiemg, IEL e Senai

As oficinas automotivas registraramdemanda positiva e constanteem 2025 em Minas Gerais. No fim do ano, como normalmente ocorre, o volume de serviços foi maior.

Conforme o presidente do Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos do Estado de Minas Gerais (Sindirepa-MG), Alexandre Mol, não houve períodos de baixa na demanda ao longo do ano. Embora a entidade ainda não tenha analisado os dados de fechamento anual do setor, o dirigente afirma que não faltaram serviços às empresas em 2025.

Assim como no meio do ano, na época do recesso escolar, em novembro e dezembro, quando se aproximam e acontecem as férias escolares, recessos no trabalho e festividades, a demanda das oficinas cresce ainda mais. O avanço é consequência, sobretudo, daqueles motoristas que vão pegar estrada e precisam revisar os veículos antes da viagem, já que não têm costume de realizar manutenção periódica.

Mol ressalta que a revisão de última hora não é a ideal e que os automóveis devem sempre estar prontos para viajar. Ele diz que a avaliação preventiva – recomendada, de modo geral, a cada seis meses ou dez mil km rodados – deveria ser um hábito dos motoristas.

Do lado dos desafios enfrentados pelas empresas, algo que geralmente afeta o setor, mas não trouxe tantos impactos desta vez, foi a oferta de autopeças. Segundo o presidente do Sindirepa-MG, os problemas de desabastecimento por erro de estratégia das fabricantes são frequentes, contudo, em 2025 não aconteceram.

De acordo com o dirigente, o principal gargalo para as oficinas automotivas, da mesma forma que para vários outros setores da economia brasileira, continuou sendo a mão de obra. Para ele, os auxílios governamentais desmotivam os beneficiários a querer trabalhar; parte da população tem preferido atuar em aplicativos de mobilidade; e os jovens estão ficando cada vez mais desinteressados em ingressar na área de reparação de veículos.

Capacitação de mão de obra e de gestão

Apesar dos obstáculos, Mol avalia que o setor em Minas Gerais está bem estruturado em termos de capacitação. Conforme ele, o sindicato utiliza as estruturas da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), do Instituto Euvaldo Lodi (Iel) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) para capacitar funcionários. Além disso, têm chegado pessoas mais capacitadas para administrar as oficinas automotivas.

Nesse contexto, o dirigente destaca que oSindirepa-MGconduziu diversos treinamentos durante o ano, entre eles, alguns focados em veículos híbridos e elétricos. Com aascensão desse mercadonos últimos anos, as oficinas já estão recebendo automóveis do segmento para manutenção e, sobretudo, para reparos de colisão.

“A grande preocupação que eu tenho como presidente de entidade é não deixar o reparador colocar as mãos em híbridos e elétricos sem ter conhecimento, principalmente por questões de segurança”, destaca, ressaltando que a entidade busca capacitar os funcionários das oficinas para lidar com esses veículos. E pontua também que há empresas que já estão com uma capacitação avançada.

Ainda no que diz respeito aos colaboradores, o sindicato, de acordo com Mol, está desenvolvendo um trabalho em parceria com companhias de seguro e fábricas de material de pintura para capacitar jovens em situação de vulnerabilidade social e formar montadores e lanterneiros. Segundo ele, adultos que queiram mudar de profissão e se recolocar no mercado, aprendendo os ofícios, também poderão ser capacitados.

Setor espera que a demanda siga aquecida em 2026

Para 2026, a expectativa do presidente do Sindirepa-MG é que a demanda das oficinas automotivas de Minas Gerais siga aquecida. Apesar do otimismo, Mol ressalta que se trata de um ano eleitoral, o que pode gerar algum impacto no setor, e que as empresas estão temerosas quanto ao novo modelo de tributação decorrente da reforma tributária.

Fonte: Diário do Comércio – Thyago Henrique