Com um número recorde de CNPJs ativos no último trimestre de 2025 – 23,9 milhões –, o universo dos pequenos negócios mostra uma mudança importante na sua composição. As micro e pequenas empresas (MPEs) praticamente encostaram nos microempreendedores individuais (MEIs). Em 2022, as MPEs representavam 40,3% do total; em 2025, passaram para 48,2%. Já os MEIs recuaram de 59,7% para 51,8%, o menor patamar da série histórica. Especialistas associam esse movimento à sazonalidade e à alta rotatividade do mercado de trabalho.
Entre 2024 e 2025, a participação relativa de MPEs e MEIs se estabilizou. Os dados integram o Panorama Econômico dos Pequenos Negócios, divulgado pelo Sebrae com base em informações da Receita Federal. Ao longo de 2025, foram abertas 4,9 milhões de empresas e 2,8 milhões encerraram suas atividades. O saldo representa crescimento de 9,7% em relação a 2024 e de 15,5% frente a 2022, ano inicial da série.
O estudo aponta avanço do crédito, mesmo em um cenário de condições mais rígidas, mas também crescimento da inadimplência, que já atinge 7,7 milhões de empresas.
Do total de CNPJs ativos no fim de 2025, 13,1 milhões (54,8%) pertencem ao setor de serviços e 6,7 milhões (28,1%) ao comércio. A indústria responde por 2,1 milhões (8,8%) e a construção civil, por 1,8 milhão (7,6%).
São Paulo concentra 6,9 milhões de pequenos negócios, o equivalente a 29% do total nacional, com uma distribuição distinta por setor: o estado reúne 60% dos CNPJs de serviços, mas 24,9% dos de comércio. Em termos de densidade, São Paulo ocupa a terceira posição nacional, com 18 mil pequenos negócios por 100 mil habitantes, atrás de Santa Catarina (19,5 mil) e Paraná (18,1 mil). A média do país é de 13,7 mil e é superada por 11 das 27 unidades da federação, evidenciando fortes diferenças regionais.
No comércio, o Maranhão lidera entre os pequenos negócios: 46% dos CNPJs ativos no estado estão ligados ao varejo e atacado. Na sequência aparecem Acre (43,7%), Piauí (42,9%), Amapá (41,8%) e Pará (41,6%).
Já os serviços alcançam maior peso no Distrito Federal (62,7%) e no Rio de Janeiro (60,9%). Para o Sebrae, a predominância desse setor reforça o caráter urbano e terciário da economia, com forte dependência da prestação de serviços. Nas regiões em que o comércio tem presença mais expressiva entre os pequenos negócios, o segmento tende a cumprir papel de sustentação em economias menos diversificadas.
Indústria e construção têm participação mais elevada no Sul e em parte do Sudeste, refletindo estruturas produtivas mais integradas a cadeias agroindustriais e industriais. A agropecuária, embora tenha peso reduzido no total de CNPJs, ganha relevância em Mato Grosso (2,9%) e Mato Grosso do Sul (3%), em linha com o perfil agrícola e pecuário dessas economias.
Segundo o Sebrae, o crescimento do estoque de empresas em 2025 foi sustentado por um volume elevado de aberturas, apesar da desaceleração observada nos trimestres finais e da sazonalidade típica do quarto trimestre. Ao mesmo tempo, houve aumento expressivo no fechamento de pequenos negócios. O resultado é um ambiente de forte rotatividade, em que expansão e mortalidade caminham juntas, especialmente em um contexto de crédito caro e atividade econômica moderada.
No crédito, a carteira voltada aos MEIs cresceu 82,8% entre o primeiro trimestre de 2022 e o terceiro de 2025, passando de R$ 38,4 bilhões para R$ 70,2 bilhões, o maior valor da série. No mesmo período, o saldo de crédito para MPEs avançou 34,7%, de R$ 380,6 bilhões para R$ 512,8 bilhões. Para o Sebrae, apesar das oscilações recentes e do ambiente financeiro restritivo, o crédito segue em trajetória de expansão, com maior intensidade no período mais recente.
O avanço vem acompanhado de pressão sobre a inadimplência. O quarto trimestre de 2025 terminou com 7,7 milhões de empresas com pagamentos em atraso, um recorde e 27% acima do observado no fim de 2022. A demanda por crédito permanece alta, mas os juros elevados e o custo financeiro têm comprometido a capacidade de parte das empresas de honrar seus compromissos.

















