O ecossistema financeiro e de crédito passou por uma transformação acelerada nos últimos anos. Cartão de crédito, pagamento por reconhecimento facial e transações via aplicativo já fazem parte da rotina de muitas empresas e redes varejistas, tanto no ambiente físico quanto no online.
É o que mostra o estudo “O varejo no novo ecossistema financeiro”, realizado pela Celcoin, infratech que fornece infraestrutura para bancos e fintechs ofertarem produtos de crédito. Segundo a pesquisa, 75% dos consumidores afirmam que um bom serviço financeiro aumenta sua lealdade a uma loja ou marca. Esse peso é tão grande que 6 em cada 10 entrevistados já trocaram ou mantiveram sua loja de preferência por causa dos serviços financeiros oferecidos.
O estudo revela ainda que 32% dos consumidores fazem compras online pelo menos uma vez por mês, enquanto 24% são ainda mais frequentes e compram em sites diariamente ou semanalmente. Quando o assunto são serviços financeiros próprios do varejo, parcelamento e cashback aparecem como os recursos considerados mais úteis, enquanto os cartões das lojas são as ferramentas mais utilizadas no dia a dia.
As vantagens financeiras são o principal critério de escolha dos consumidores por serviços financeiros da própria loja, mencionadas por 42% dos respondentes. Entre os atrativos mais citados estão os descontos exclusivos (37,6%), maior facilidade de pagamento (22,1%) e a possibilidade de parcelar mesmo sem cartão de crédito tradicional (20,1%).
“O sucesso do varejo no novo ecossistema financeiro está diretamente ligado à capacidade das marcas de oferecer crédito e meios de pagamento que facilitem o consumo. Muitas modalidades ainda são pouco conhecidas pelos consumidores ou pouco exploradas pelo varejo. As soluções financeiras deixam de ser apenas transacionais para se tornarem diferenciais competitivos, capazes de gerar lealdade e, ao mesmo tempo, receita para as lojas”, afirma Luís Moraes, Diretor de Produtos da Celcoin.
Entre os serviços mais utilizados, destacam-se o cartão próprio da loja (27%) e o parcelamento de compras (23%), com forte presença nas classes C1 e DE. Porém, há um descompasso entre uso e percepção de utilidade: o parcelamento é apontado como o serviço mais valioso, considerado o mais útil por 35% dos consumidores para compras online. Já o cartão próprio da loja, embora bastante utilizado (27%), aparece como útil para apenas 11%.
Essa diferença sugere que a adesão ao cartão da loja pode estar ligada sobretudo a incentivos imediatos, como descontos pontuais, e menos a uma preferência genuína pelo produto – o que pode limitar a fidelização no longo prazo.
“Os dados mostram que o consumidor busca principalmente vantagens financeiras que tornem o consumo mais viável, o que amplia o potencial de fidelização quando esses benefícios são bem comunicados e integrados à jornada de compra. Para transformar serviços financeiros em um pilar de lealdade, a confiança é essencial. Um bom portfólio de produtos financeiros, seja pela qualidade, seja pela amplitude, pode converter o consumidor ocasional em cliente recorrente. O conceito de Embedded Finance, por exemplo, abre uma oportunidade valiosa de transformar o varejo em uma plataforma financeira completa, oferecendo conveniência, crédito acessível e fidelização em um único ecossistema”, complementa Moraes.
A pesquisa mostra também que transparência nas condições (34%) e a força da marca que oferece o serviço (26%) são os principais fatores que reforçam a confiança e aumentam a probabilidade de uso das soluções financeiras.
Há, porém, espaço para crescer em produtos como seguros e BNPL (Buy Now, Pay Later), ainda pouco difundidos entre os consumidores. O seguro é considerado útil por 17% dos entrevistados, mas apenas 8% o utilizam, o que aponta para uma oportunidade ligada à falta de clareza sobre coberturas e custos adicionais, entre outros pontos. O BNPL, por sua vez, registra baixa adesão (3%) e baixa percepção de utilidade (1%), indicando que sua expansão depende de comunicação mais clara e ações focadas em construir confiança.
Realizado com 1.549 participantes entre agosto e setembro, o estudo mapeou hábitos de compra e motivações que levam os consumidores a aderir aos serviços financeiros oferecidos pelo varejo.
















