Por que tratar combustível como commodity custa caro às empresas

Por que tratar combustível como commodity custa caro às empresas


No início de um novo ciclo de planejamento, quando empresas revisam metas, custos e eficiência operacional, uma decisão técnica segue sendo tratada de forma simplificada: a escolha do combustível. Profuel e o especialista Gilles Laurent Grimberg alertam que tratar combustível como commodity gera custos ocultos relevantes, afeta a performance dos motores e reduz sua vida útil — impactos que vão muito além do preço por litro e comprometem o resultado ao longo do ano.

Todo início de ano traz consigo um movimento conhecido no ambiente corporativo: revisão de orçamento, controle de despesas e busca por eficiência. Ainda assim, mesmo em operações altamente dependentes de motores, uma decisão estratégica continua sendo tomada quase exclusivamente com base no preço: o combustível.

Para a Profuel, empresa especializada em soluções técnicas para eficiência e proteção de motores, esse é um dos equívocos mais recorrentes da gestão operacional. “Combustível não é um insumo neutro. Ele interfere diretamente no desempenho, no consumo, na manutenção e na durabilidade do motor”, afirma Gilles Laurent Grimberg, especialista em combustíveis e comportamento de motores.

Dados técnicos e análises de campo mostram que combustíveis de qualidade inadequada ou mal especificados podem provocar aumento de até 5% no consumo, além de acelerar o desgaste de componentes como bicos injetores, bombas e sistemas de alimentação. Em operações de frota, esse percentual representa um impacto financeiro relevante ao longo do ano, muitas vezes invisível no momento da compra.

Outro ponto pouco considerado são os custos indiretos relacionados à manutenção corretiva. Falhas associadas à qualidade do combustível estão entre as principais causas de paradas não planejadas, redução de disponibilidade dos veículos e aumento do custo por quilômetro rodado. “O combustível mais barato no abastecimento tende a ser o mais caro no fechamento do mês”, explica Gilles.

Do ponto de vista técnico, a diferença está na composição e no comportamento do combustível dentro do motor. Instabilidade química, contaminação por água, formação de depósitos e combustão ineficiente comprometem o funcionamento adequado do sistema. Esses efeitos não surgem de forma imediata, mas se acumulam ao longo do tempo, reduzindo a vida útil dos ativos.

É nesse contexto que a Profuel propõe uma mudança de mentalidade: tratar o combustível como insumo técnico estratégico, e não apenas como despesa variável. Ao alinhar engenharia, operação e gestão financeira, decisões passam a ser tomadas com foco no custo total de operação, e não apenas no preço por litro.

​Você sabia ?

• Combustíveis de baixa qualidade podem aumentar o consumo em até 5%, mesmo sem alteração perceptível no desempenho imediato.

• Problemas relacionados à qualidade do combustível estão entre as principais causas de falhas prematuras em sistemas de injeção.

• Custos com manutenção corretiva e paradas não planejadas impactam diretamente o custo por quilômetro rodado, mas raramente entram na conta do abastecimento.

• A vida útil de componentes do sistema de alimentação pode ser significativamente reduzida quando o combustível não atende às especificações técnicas do motor.

Dica para CFOs e gestores financeiros

Ao revisar custos operacionais, avalie o combustível pelo custo total de uso, e não apenas pelo valor do litro. Incluir indicadores como consumo médio, frequência de manutenção corretiva, disponibilidade da frota e vida útil dos componentes permite decisões mais precisas e previsíveis — e evita economias aparentes que se transformam em prejuízo ao longo do ano.

Em um cenário de margens pressionadas, motores cada vez mais exigentes e operações que dependem de confiabilidade, rever a forma como o combustível é tratado pode ser um dos movimentos mais estratégicos do início do ano. “Eficiência operacional não nasce do menor preço, mas da escolha correta ao longo do ciclo de uso”, resume Gilles Laurent Grimberg.