A redução na conta de luz foi um dos principais fatores para a desaceleração da prévia da inflação oficial em janeiro, que fechou em 0,20%, após alta de 0,25% em dezembro.
Com esse resultado, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) acumula alta de 4,5% em 12 meses, exatamente o teto da meta de inflação do governo. No levantamento anterior, a taxa acumulada em 12 meses era de 4,41%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (23) pelo IBGE.
Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, dois registraram queda de preços na passagem de dezembro para janeiro:
– Habitação: -0,26% – Transportes: -0,13% – Educação: 0,05% – Vestuário: 0,28% – Despesas pessoais: 0,28% – Alimentação e bebidas: 0,31% – Artigos de residência: 0,43% – Comunicação: 0,73% – Saúde e cuidados pessoais: 0,81%
No grupo habitação, a conta de energia elétrica recuou 2,91% e foi o item que mais contribuiu para segurar a inflação no mês, com impacto de -0,12 ponto percentual.
A queda está ligada à mudança da bandeira tarifária definida pela Aneel. Em dezembro, vigorava a bandeira amarela, que acrescentava R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Em janeiro, entrou em vigor a bandeira verde, sem custo adicional na conta de luz.
Avião e ônibus
No grupo transportes, a queda de 0,13% foi puxada principalmente pelas passagens aéreas, que ficaram, em média, 8,92% mais baratas.
As tarifas de ônibus urbanos também ajudaram a reduzir o índice, com queda de 2,79%. Em Belo Horizonte, por exemplo, a adoção de tarifa zero aos domingos e feriados derrubou o preço médio das passagens em 18,26%.
Na contramão, os combustíveis subiram 1,25% e pressionaram a inflação. As altas foram de 3,59% no etanol, 1,01% na gasolina, 0,11% no gás veicular e 0,03% no óleo diesel. A gasolina teve o maior impacto individual no IPCA-15, de 0,05 ponto percentual.
Para os próximos meses, porém, a expectativa é de alívio nesse item, após o anúncio da Petrobras de redução de 5,2% no preço da gasolina vendida às distribuidoras, a partir desta terça-feira.
Alimentos
O grupo alimentação e bebidas avançou 0,31% em janeiro, acelerando em relação à alta de 0,13% observada em dezembro.
A alimentação no domicílio interrompeu uma sequência de sete meses de queda e subiu 0,21%. Entre os itens que mais influenciaram a alta estão:
– Tomate: 16,28% – Batata-inglesa: 12,74% – Frutas: 1,65% – Carnes: 1,32%
Alguns produtos, porém, ajudaram a conter um avanço maior dos preços, como o leite longa vida (-7,93%), o arroz (-2,02%) e o café moído (-1,22%).
Prévia x índice cheio
O IPCA-15 segue a mesma metodologia do IPCA cheio, que é o índice oficial usado como referência para o sistema de metas de inflação: 3% em 12 meses, com banda de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
A principal diferença está no período de coleta e na abrangência geográfica. O IPCA-15 é uma prévia: os preços são coletados e divulgados antes do fim do mês de referência. Para o resultado atual, o levantamento foi feito entre 13 de dezembro de 2025 e 14 de janeiro de 2026.
Tanto o IPCA quanto o IPCA-15 consideram uma cesta de produtos e serviços consumidos por famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos. Hoje, o salário mínimo está em R$ 1.621.
O IPCA-15 cobre 11 regiões: áreas metropolitanas de Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Já o IPCA cheio inclui 16 localidades, acrescentando Aracaju, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Vitória. O IPCA de janeiro será divulgado em 10 de fevereiro.












