Volatilidade no mercado internacional já impacta o Brasil, com reajuste de até 19% nos óleos lubrificantes a partir de abril e temor de novas altas caso o conflito se prolongue
A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã nas últimas semanas tem provocado efeitos imediatos nos mercados globais de energia, especialmente no petróleo e seus derivados, reforçando um cenário de instabilidade geopolítica e alta volatilidade.
Desde o início das tensões, o preço do barril chegou a ultrapassar os US$ 100, com picos próximos de US$ 119 após ataques a infraestruturas energéticas e riscos de interrupção no transporte pelo Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Esse cenário elevou o chamado “prêmio de risco geopolítico”, pressionando custos em toda a cadeia produtiva.
A reação do mercado, no entanto, tem sido marcada por oscilações bruscas. Apenas nesta semana, sinais de um possível cessar-fogo fizeram o petróleo recuar mais de 5%, voltando para a faixa abaixo dos US$ 100, após semanas de forte alta. Ainda assim, analistas apontam que a volatilidade permanece elevada, com impactos diretos sobre inflação, câmbio e custos industriais.
Essa instabilidade já começa a ser sentida no Brasil, especialmente em setores dependentes de derivados do petróleo. De acordo com Luiz Alberto Gomes Jr., diretor-executivo da Acipar, o momento é de cautela. “A gente vive um cenário de muita apreensão. O mercado reage rapidamente a qualquer movimento geopolítico, e isso tem impacto direto nos custos das matérias-primas. O setor está atento e preocupado com a continuidade desse conflito”, afirma.
Entre os reflexos mais imediatos está o aumento nos custos de insumos industriais. Com a pressão sobre a cadeia de petróleo, os óleos lubrificantes podem sofrer reajuste de até 30% a partir de abril, acompanhando a alta recente da commodity. Segundo Luiz Alberto, o cenário ainda é incerto e pode trazer novos impactos. “Esse é um reajuste inicial, mas se o conflito persistir ou se houver novas interrupções no fornecimento global, outros impactos podem acontecer ao longo dos próximos meses”, explica.
Além dos lubrificantes, outros itens ligados à cadeia automotiva e industrial também já apresentam pressão de custos. Aditivos, pneus e diversos insumos derivados do petróleo devem sofrer reajuste, refletindo tanto a alta recente da commodity quanto os custos logísticos e de produção, que tendem a ser repassados ao longo das próximas semanas.
Apesar das recentes sinalizações diplomáticas, o mercado segue sensível a qualquer novo desdobramento no Oriente Médio. Para empresas e consumidores, o momento exige atenção redobrada, planejamento e adaptação a um ambiente econômico cada vez mais influenciado por fatores geopolíticos.
















