A indústria brasileira de pneus iniciou 2026 em forte retração, pressionada pelo avanço das importações, principalmente originárias de países asiáticos. Nos dois primeiros meses do ano, as vendas internas de pneus fabricados no Brasil somaram 5,5 milhões de unidades, queda de 10,6% em relação às 6,1 milhões comercializadas no mesmo período de 2025, segundo dados da ANIP (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos).
No mercado de reposição, o recuo no primeiro bimestre foi de 10,1%. Já as entregas para as montadoras caíram 11,5%, passando de 2,1 milhões de pneus entre janeiro e fevereiro de 2025 para 1,9 milhão no mesmo intervalo deste ano.
Considerando o total de vendas, o primeiro bimestre de 2026 registrou o menor volume desde 2019: de 7,5 milhões de unidades naquele ano para os atuais 5,5 milhões, uma queda acumulada de 27,5%.
“Os resultados seguem extremamente preocupantes para a indústria nacional, colocando em risco a operação das fabricantes, os empregos e a própria soberania do país em relação a um insumo estratégico como o pneu e a borracha”, afirma Rodrigo Navarro, presidente da ANIP.
Entre os segmentos, os pneus de carga foram os mais impactados, com retração de 14,9% nas vendas totais. No segmento de passeio, a queda foi de 9,8%. Já o mercado de pneus para motocicletas ficou praticamente estável no período.
A perda de espaço do produto nacional é nítida. A participação de mercado dos pneus fabricados no Brasil fechou o primeiro bimestre em 31%, bem abaixo dos 41% registrados no mesmo período de 2025. Em 2021, esse índice era de 63%.
“Seguimos em diálogo com o governo e já contamos com o apoio de entidades do nosso ecossistema para que sejam tomadas medidas contra a concorrência desleal”, diz Navarro.
No início de março, a ANIP encaminhou ao Governo Federal um manifesto assinado por 40 entidades, pedindo ações imediatas para reequilibrar o mercado. Entre as medidas propostas estão:
1. Estabelecimento de Licenciamentos Não Automáticos (LNAs) com base em valores internacionalmente praticados, com análise documental detalhada (antifraude) e exigência de comprovação do cumprimento de metas ambientais, além da adoção de salvaguardas cabíveis pelo Governo.
2. Maior agilidade na análise e aplicação de direitos provisórios nas investigações antidumping em andamento.
3. Estímulo a compras governamentais e linhas de financiamento para pneus com conteúdo local significativo e que cumpram integralmente a legislação ambiental e de conformidade técnica vigente.
4. Adoção, pelo Brasil, de medidas tarifárias alinhadas às praticadas por países com base industrial robusta.
5. Implementação da Política de Estímulo à Produção de Borracha no Brasil, atualmente em fase final de elaboração pelo Governo Federal.
“Trata-se de um pacote para restabelecer condições mínimas de isonomia e preservar a indústria nacional e toda a sua cadeia, que hoje emprega 35 mil pessoas diretamente e mais de 500 mil de forma indireta. Sem medidas de contenção, empregos estarão em risco, assim como novos investimentos, o que pode acelerar a desindustrialização e gerar sérios problemas de soberania nacional em um insumo estratégico para o país”, reforça Navarro.
Entidades que apoiam o Manifesto da ANIP
O manifesto apresentado ao governo conta com o apoio de:
ABBRASP (Associação Borracha Brasileira de Seringueiros Produtores), ABICALÇADOS (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), ABIMETAL (Associação Brasileira da Indústria Processadora de Aço), ABIQUIM (Associação Brasileira da Indústria Química), ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), ABR (Associação Brasileira da Reforma de Pneus), ABRABOR (Associação Brasileira de Produtores e Beneficiadores de Borracha Natural), Acirp (Associação Comercial e Empresarial de São José do Rio Preto), ALAPA (Associação Latino Americano de Pneus e Aros), AMNPS (Associação do Movimento Nacional de Produtores e Sangradores), APABOR (Associação Paulista de Produtores Beneficiadores de Borracha), APROB (Associação de Produtores de Borracha Natural de Goiás e Tocantins), ARESP (Associação das Empresas Reformadoras de Pneus do Estado de São Paulo), ASSOBAN (Associação Brasileira das Distribuidoras Bridgestone Bandag), CBIP (Cooperativa de Borracha do Interior Paulista), Cooperativa Casul Peanuts, COOPBORES (Cooperativa dos Produtores de Borracha do Espírito Santo), COOPER Latex (Cooperativa dos Heveicultores do Centro-Oeste), Coopermata (Cooperativa Cacau Mata Atlântica da Bahia), COOSEF (Cooperativa dos Produtores Rurais de Seringueira da Região de Fernandópolis), COOPAFBASUL (Cooperativa dos Agricultores Familiares do Baixo Sul), COOPBOR (Cooperativa dos Produtores de Borracha Natural), COOPHEVEA (Cooperativa de Heveicultores de Guaraçi/SP e Região), Cooperativa HEVEAFORTE (Cooperativa dos Produtores de Borracha HEVEAFORTE), COOPERVERDE (Cooperativa Ouro Verde Bahia), EMDAPI (Empresa de Destinação Adequada de Pneumáticos Inservíveis), FENABOR (Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Artefatos de Borracha, Pneumáticos e Látex), FIEB (Federação das Indústrias do Estado da Bahia), Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), HEVEACOOP (Cooperativa dos Seringalistas do Espírito Santo), Instituto PNRS (Instituto Brasileiro de Resíduos Sólidos), Natural Rubber Cooperativa, Reciclanip, SERCOOP (Cooperativa dos Seringueiros de Novo Horizonte e Região), SERINCOOP (Cooperativa dos Seringalistas do Estado de Minas Gerais), SIMEFRE (Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários), SINDIAÇO (Sindicato Nacional da Indústria do Aço), SINPEC (Sindicato Nacional da Indústria de Pneumáticos, Câmaras de Ar e Camelback) e UniHevea (Cooperativa dos Produtores de Látex).
















