Vendas do varejo caem 1,3% em janeiro, aponta Stone

Vendas do varejo caem 1,3% em janeiro, revela pesquisa da Stone

As vendas do comércio varejista brasileiro caíram 1,3% em janeiro, na comparação com dezembro de 2025, segundo o Índice do Varejo Stone (IVS). Em relação a janeiro do ano passado, a queda foi ainda mais forte: retração de 5,9% no volume de vendas. O indicador é calculado mensalmente pela empresa de tecnologia de meios de pagamento Stone.

Para Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone, o resultado de janeiro confirma um começo de ano mais difícil para o varejo. Ele destaca que o consumo continua pressionado por juros ainda elevados, crédito mais caro e um patamar historicamente alto de endividamento das famílias, fatores que reduzem a disposição de compra do consumidor.

Entre os oito segmentos avaliados, apenas um registrou crescimento na comparação mensal: Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo, com alta de 1,4%. O avanço foi favorecido pela recente deflação dos alimentos consumidos em casa, que aliviou um pouco o orçamento das famílias.

Os demais segmentos mostraram retração ou estabilidade em janeiro. Caíram as vendas de Artigos Farmacêuticos e de Combustíveis e Lubrificantes (-5,6%), Material de Construção (-3,3%), Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (-1,9%), Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (-1,5%), e Móveis e Eletrodomésticos (-0,3%). Já Tecidos, Vestuário e Calçados ficaram praticamente estáveis na comparação com dezembro.

No recorte anual, o quadro é ainda mais negativo: todos os oito segmentos analisados tiveram queda nas vendas. O tombo mais intenso ocorreu em Combustíveis e Lubrificantes (-15,1%), seguido por Artigos Farmacêuticos (-7,5%), Tecidos, Vestuário e Calçados (-6,7%), Livros, Jornais, Revistas e Papelaria (-5,5%), Material de Construção (-4,7%), Outros Artigos de Uso Pessoal e Doméstico (-4,6%), Hipermercados, Supermercados, Produtos Alimentícios, Bebidas e Fumo (-4,2%) e Móveis e Eletrodomésticos (-2,3%).

Por região, o retrato também é de fraqueza generalizada. Na comparação anual, apenas o Amapá apresentou crescimento nas vendas, com alta de 2,9%.

Entre os estados com retração, o pior desempenho foi o do Rio Grande do Sul (-10,2%). Em seguida aparecem Rio Grande do Norte (-7,6%), Amazonas (-7,3%), Santa Catarina (-6,5%), São Paulo e Distrito Federal (-6,4%), Espírito Santo (-6,2%), Tocantins (-5,8%), Paraíba (-5,7%), Mato Grosso (-5,4%), Ceará (-5,3%), Minas Gerais e Mato Grosso do Sul (-5,2%), Paraná (-4,9%), Acre (-4,8%), Bahia, Pernambuco e Sergipe (todos com -4%), Goiás (-3,4%), Rondônia (-3,3%), Rio de Janeiro (-3,2%), Alagoas (-2,3%), Roraima (-1,1%), Piauí (-1%), Pará (-0,4%) e Maranhão (-0,1%).

“Quando só um estado mostra crescimento na comparação anual, fica claro que o consumo segue pressionado de forma ampla. As perdas são mais fortes no Sul, no Sudeste e em parte do Centro-Oeste, regiões que tendem a reagir mais às condições financeiras restritivas”, avalia Freitas.