Vendas no varejo recuam 3,1% em fevereiro, indica Stone

Vendas no varejo caem 3,1% em fevereiro, aponta Stone: veja os setores mais afetados

O resultado reforça a permanência de um cenário difícil para o consumo, mesmo com o mercado de trabalho ainda aquecido. Para Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone, o conjunto formado por juros reais altos, crédito mais caro e forte comprometimento da renda das famílias com dívidas continua travando o poder de compra.

“O varejo iniciou 2026 em um nível abaixo do registrado no ano passado, que já havia sido desafiador. Mesmo com avanço da renda e desemprego em patamares baixos, o ambiente financeiro restritivo segue pressionando o consumo”, avalia.

Números por segmento

Na comparação mensal, os oito segmentos analisados tiveram queda em fevereiro. A retração mais forte veio de livros, jornais, revistas e papelaria, com baixa de 17,9%. Em seguida aparecem combustíveis e lubrificantes (‑6,5%), tecidos, vestuário e calçados (‑5,3%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (‑3,3%).

Também recuaram móveis e eletrodomésticos (‑3,2%), material de construção (‑2,8%), hipermercados e supermercados (‑2,3%) e artigos farmacêuticos (‑1,6%).

Na comparação anual, apenas dois segmentos cresceram, ambos ligados a itens essenciais. Hipermercados, supermercados, alimentos, bebidas e fumo avançaram 2,5%, enquanto artigos farmacêuticos registraram alta de 1,7%.

Entre os demais setores, o tombo mais intenso foi em tecidos, vestuário e calçados, com queda de 11,3%, seguido por móveis e eletrodomésticos (‑8,1%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (‑5,2%).

Desempenho regional

Os dados por estado revelam um quadro distribuído de forma desigual pelo país. Na comparação anual, sete unidades da federação registraram crescimento, com destaque para o Acre, que avançou 10,8%. Também tiveram alta Roraima (4,7%), Amapá (4,1%) e Pará (2,4%), além de Sergipe e Santa Catarina (0,8% cada) e Pernambuco (0,1%).

A maior parte dos estados, porém, mostrou retração. As quedas mais acentuadas ocorreram no Amazonas (‑7,1%), Espírito Santo (‑7%), Distrito Federal (‑6,3%) e Rio Grande do Sul (‑6%). São Paulo, principal mercado consumidor do país, recuou 2%.

Segundo Freitas, os resultados mostram que a desaceleração do consumo ainda é a tônica, apesar de avanços pontuais em algumas regiões. “Os estados do Norte apresentaram desempenho relativamente melhor, enquanto Sudeste e Sul concentraram as retrações mais fortes, o que reforça o peso do crédito restrito e do alto endividamento das famílias sobre o consumo”, conclui.