Em 2024, o Brasil contava com 10.165 empresas com 100 ou mais empregados nas indústrias extrativas e de transformação. Deste universo, 64,4% introduziram algum produto novo ou substancialmente aprimorado e/ou adotaram algum processo de negócios novo ou melhorado em ao menos uma de suas funções.
O índice representa uma queda de 0,2 ponto percentual em relação a 2023 (64,6%) e consolida o terceiro recuo consecutivo da taxa de inovação desde 2021, quando o indicador havia alcançado 70,5%. A inovação é mais intensa entre as grandes companhias: entre as que têm mais de 500 empregados, a taxa chegou a 75,4%.
Os dados são da Pesquisa de Inovação Semestral 2024: Indicadores Básicos (Pintec), divulgada nesta quinta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 2024, 32,7% das empresas pesquisadas inovaram simultaneamente em produto e em processo de negócios, resultado 1,7 ponto percentual abaixo do observado em 2023 (34,4%). É a menor taxa combinada dessas duas categorias desde o primeiro ciclo da Pintec Semestral, em 2021.
As empresas que inovaram apenas em produto também registraram, em 2024, o menor patamar da série recente: 12,5%. Já as companhias que inovaram somente em processos de negócios caminharam na direção oposta. A taxa passou de 16,6% em 2023 para 19,2% em 2024, um avanço de 2,6 pontos percentuais.
Para o analista da Pintec, Flávio Peixoto, o comportamento do indicador está ligado ao ambiente econômico. Segundo ele, 2021 foi um ano atípico de pós-pandemia, marcado por forte retomada de atividades produtivas e inovativas que haviam ficado represadas. Nos três anos seguintes, o quadro se estabilizou, em meio à redução da taxa de investimentos e à elevação da taxa básica de juros, a Selic.
Entre os segmentos industriais, o setor de fabricação de produtos químicos liderou o ranking de inovação, com 84,5% das empresas inovando. Em seguida aparecem fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (82,1%) e fabricação de móveis (77,1%). Na outra ponta, o setor de fabricação de produtos do fumo apresentou a menor taxa (29,8%).
No recorte sobre pesquisa e desenvolvimento (P&D), 32,9% das empresas investiram recursos em atividades internas de P&D em 2024, o menor percentual desde 2021 (33,9%). Em alguns segmentos, porém, mais da metade das empresas realizou esse tipo de investimento, como na fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, fabricação de produtos químicos, fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos e fabricação de outros equipamentos de transporte.
Os dispêndios em P&D somaram aproximadamente R$ 39,9 bilhões em 2024, acima dos R$ 38,2 bilhões registrados em 2023, em valores nominais. As empresas inovadoras da indústria de transformação responderam por 85,4% desse montante (R$ 34,1 bilhões), enquanto as indústrias extrativas concentraram 14,6% (R$ 5,8 bilhões). Em números absolutos, houve aumento dos gastos em ambos os grupos industriais.
O uso de apoio público à inovação também cresceu. Em 2024, 38,6% das empresas inovadoras recorreram a algum tipo de instrumento público, frente a 36,3% em 2023. O mecanismo mais utilizado foi o incentivo fiscal à pesquisa e desenvolvimento e à inovação tecnológica, acessado por 28,9% das empresas.
De acordo com a Pintec, 96,4% das empresas inovadoras pretendem manter ou ampliar os gastos com P&D em 2025, indicando uma tendência de continuidade dos esforços em inovação, apesar do ambiente econômico mais restritivo.















