O avanço das exportações de soja e petróleo levou a balança comercial brasileira a registrar, em abril, o maior superávit da série histórica para esse mês, iniciada em 1989. De acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (7) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o saldo foi de US$ 10,537 bilhões, com as vendas externas superando com folga as importações.
O resultado representa um crescimento de 37,5% em relação a abril de 2025, quando o superávit ficou em US$ 7,664 bilhões. Considerando todos os meses da série, esse é o terceiro maior superávit já registrado, atrás apenas de maio de 2023 (US$ 10,978 bilhões) e março de 2023 (US$ 10,751 bilhões).
Em abril, tanto exportações quanto importações bateram recorde para o mês:
– Exportações: US$ 34,148 bilhões, alta de 14,3% frente a abril do ano passado; – Importações: US$ 23,611 bilhões, crescimento de 6,2% na mesma base de comparação.
Ambos os valores são os maiores já registrados para meses de abril desde o início da série.
Acumulado do ano
No acumulado de janeiro a abril, a balança comercial soma superávit de US$ 24,782 bilhões, 43,5% acima do registrado no mesmo período de 2025. O desempenho reflete a recuperação dos preços das commodities e também um efeito estatístico: a importação de uma plataforma de petróleo em fevereiro de 2025, operação pontual que não se repetiu em 2026.
No primeiro quadrimestre, o fluxo ficou assim:
– Exportações: US$ 116,552 bilhões, aumento de 9,2% em relação ao mesmo período do ano passado; – Importações: US$ 91,770 bilhões, alta de 2,5% na comparação anual.
O superávit acumulado é o segundo maior já registrado para o período, abaixo apenas do primeiro quadrimestre de 2024, quando o saldo foi de US$ 26,925 bilhões.
Desempenho por setor
Em abril, o crescimento das exportações foi disseminado entre os principais setores:
– Agropecuária: alta de 16,1%, com aumento de 12,7% no volume embarcado e de 3,2% no preço médio; – Indústria extrativa: avanço de 17,9%, puxado pelo petróleo. O volume cresceu apenas 0,6%, mas o preço médio subiu 17,2%; – Indústria de transformação: crescimento de 11,6%, com alta de 6,8% no volume e de 4,1% no preço médio.
Produtos que mais influenciaram
Entre os produtos, os principais destaques nas exportações de abril foram:
– Agropecuária: soja (+18,8%), algodão (+43,7%) e animais vivos, exceto pescados e crustáceos (+148,4%); – Indústria extrativa: óleos brutos de petróleo (+10,6%), minério de ferro (+19,5%) e minérios de cobre (+55%); – Indústria de transformação: carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (+29,4%); ouro não monetário, excluídos minérios e concentrados (+75,9%); e bombas, centrífugas, compressores de ar e ventiladores (+321,5%).
Em termos absolutos, dois itens foram decisivos para o avanço mensal das exportações. A soja liderou, com aumento de US$ 1,105 bilhão em relação a abril do ano passado, impulsionada tanto pelo volume da safra quanto pela alta dos preços. Em seguida veio o petróleo bruto, com incremento de US$ 458,98 milhões.
No caso do petróleo, o volume exportado recuou 10,6%, mas o preço médio disparou 23,7%, influenciado pela guerra no Oriente Médio. A redução do volume está relacionada à alíquota temporária de 12% de Imposto de Exportação sobre o petróleo, adotada em meados de março como medida para conter a alta dos combustíveis após o início do conflito na região.
Apesar do avanço da agropecuária como um todo, as vendas externas de café caíram em abril. O Brasil exportou US$ 177,44 milhões a menos que em abril de 2025, queda de 14,2%, influenciada principalmente pela redução de 13,4% no preço médio.
Importações: destaque para veículos
Do lado das compras externas, o aumento em abril foi puxado sobretudo pelo setor automotivo. As importações de veículos cresceram US$ 654,33 milhões em relação ao mesmo mês de 2025.
Por categoria, os principais destaques nas importações foram:
– Agropecuária: soja (+165,3%), pescados (+11,1%) e frutas não oleaginosas (+8,9%); – Indústria extrativa: óleos brutos de petróleo (+26,4%) e linhita e turfa (+147,9%); – Indústria de transformação: automóveis de passageiros (+109,9%), combustíveis (+37,3%) e válvulas e tubos termiônicos (+27,3%).
Projeções para o ano
Para 2026, o MDIC projeta superávit comercial de US$ 72,1 bilhões, alta de 5,9% frente ao saldo positivo de US$ 68,1 bilhões em 2025.
Segundo o ministério, as exportações devem encerrar o ano em US$ 364,2 bilhões, avanço de 4,6% em relação a 2025. As importações, por sua vez, devem atingir US$ 280,2 bilhões, aumento de 4,2% na comparação anual.
As projeções oficiais para a balança comercial são revisadas trimestralmente. Novas estimativas mais detalhadas sobre exportações, importações e saldo de 2026 serão divulgadas em julho. O recorde histórico de superávit foi registrado em 2023, com resultado positivo de US$ 98,9 bilhões.
As estimativas do MDIC são ligeiramente mais conservadoras que as do mercado financeiro. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com analistas, a balança comercial deve fechar o ano com superávit de US$ 75 bilhões, projeção que foi revista para cima após o agravamento do conflito no Oriente Médio.















