Qual é a primeira marca que vem à sua cabeça? A pergunta parece trivial, quase automática, mas expõe um dos ativos mais valiosos de qualquer indústria: a memória do cliente. No fundo, ela mostra quais empresas conseguiram atravessar o ruído do mercado, superar a concorrência e conquistar um espaço privilegiado na mente de quem decide.
No Aftermarket Automotivo, essa disputa é ainda mais complexa. Não basta falar com o consumidor final. É preciso dialogar com um elo decisivo da cadeia: o reparador. É ele quem recomenda, valida, influencia e, muitas vezes, define a compra. Nesse contexto, lembrança de marca não é apenas imagem: é ferramenta de decisão.
Criada em 1999 pela Nhm – Novo Meio Hub de Mídia, a pesquisa Autop of Mind nasceu justamente para medir esse fenômeno: identificar quais marcas são lembradas espontaneamente por reparadores e proprietários de veículos e, a partir daí, avaliar a eficácia das estratégias de comunicação das indústrias do setor. Ao longo dos anos, uma conclusão se consolidou: estar no topo da mente do mercado não é detalhe. É vantagem competitiva – embora não seja garantia de resultado por si só.
Ser top of mind não significa, automaticamente, liderar vendas. Tampouco assegura preferência no balcão. A lembrança entrega algo mais sutil, porém decisivo: um caminho aberto. A decisão de compra continua condicionada a fatores objetivos como preço, disponibilidade, procedência e suporte técnico. Ainda assim, quando uma marca já está instalada na memória, sai na frente. Diante da dúvida, o consumidor – seja o motorista, seja o profissional da oficina – tende a escolher o que reconhece.
No Aftermarket, essa lógica passa por um filtro adicional: o conhecimento técnico. O reparador não só consome informação; ele interpreta, traduz e recomenda. Sua experiência prática tem o poder de fortalecer ou comprometer a reputação de uma marca com velocidade e intensidade que nenhuma campanha publicitária controla. Uma experiência positiva reforça a lembrança. Uma negativa pode apagá-la – muitas vezes, de forma definitiva.
É nesse ponto que a Autop of Mind deixa de ser apenas um ranking para se tornar um indicador estratégico. Quando há desalinhamento entre lembrança e desempenho de mercado – marcas muito lembradas, mas com baixa conversão em vendas –, o problema tende a estar além da comunicação. Pode indicar falhas de distribuição, falta de disponibilidade no ponto de venda ou fragilidade na entrega do produto. Na outra ponta, marcas com bom desempenho comercial, mas baixa lembrança espontânea, revelam um potencial não explorado: estão próximas de transformar presença em relevância.
Momento é oportuno para gerar valor percebido
A edição 2026 da pesquisa Autop of Mind – conduzida pelo After.Lab, núcleo de inteligência de negócios da Nhm – chega em um momento especialmente desafiador para o setor. O aumento da frota circulante, impulsionado pelo mercado de usados, eleva a demanda por reposição. Ao mesmo tempo, a diversificação tecnológica dos veículos torna a operação mais complexa em toda a cadeia, da indústria à oficina. Novas marcas surgem, linhas de produtos se ampliam e a gestão de estoque fica mais exigente. Nesse cenário, comunicar bem deixou de ser diferencial. Passou a ser condição para permanecer relevante.
Comunicar bem, porém, não é apenas aparecer. É gerar valor percebido, transmitir confiança técnica e sustentar presença consistente ao longo do tempo. Porque, no fim, o aftermarket não compra apenas produto. Compra segurança – e essa segurança começa, muitas vezes, pela familiaridade com a marca e pela confiança construída na experiência do dia a dia.
Nesta edição, apresentamos a primeira parte dos resultados da Autop of Mind 2026. Nesta etapa, foram entrevistados 464 reparadores nas nove principais capitais do país: Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Salvador, São Paulo, Recife e Rio de Janeiro. A pesquisa é dividida em duas fases: em maio, o AAFD divulgará os resultados obtidos junto aos proprietários de veículos.
Um ponto importante: a Autop of Mind investiga a resposta imediata e espontânea dos entrevistados para cada linha de produto, sem qualquer interferência do pesquisador. Isso significa que, em alguns casos, pode surgir a citação de uma marca para um produto que ela não fabrica nem oferece ao mercado. Nesta edição, foi o caso específico da aparição da NGK na categoria “bico injetor”. Por se tratar de um segmento com forte concentração em duas marcas principais, as demais citações – embora pouco representativas – acabam com índices muito próximos (e baixos) de lembrança, o que permite que uma delas se sobressaia por pequena diferença. Foi o que ocorreu em “bico injetor” e, para retratar com total fidelidade o que disseram os entrevistados, optou-se por manter todas as citações na íntegra.
Feita essa ressalva, as respostas dos reparadores – apresentadas nas tabelas a seguir – mostram quem conseguiu construir presença e ocupar espaço privilegiado na memória do mercado. Mais do que nomes, os resultados revelam quais empresas conseguiram estabelecer conexão efetiva com seus públicos, transformando comunicação em lembrança e lembrança em relevância. Porque, no aftermarket, não basta ser visto. É preciso ser lembrado e, no momento decisivo, ser escolhido.
Autop of Mind 2026 – Reparadores
Autopeças
COFAP – 19,4%
BOSCH – 15,9%
MONROE – 10,8%
Rolamentos
SKF – 57,3%
INA – 19,0%
FAG – 8,0%
Filtros
WEGA – 29,3%
TECFIL – 19,2%
MANN – 17,9%
Anéis e pistões
MAHLE METAL LEVE – 63,4%
COFAP – 4,1%
TAKAO – 3,4%
Combustível
SHELL – 38,8%
BR PETROBRAS – 30,6%
IPIRANGA – 19,0%
Amortecedores
COFAP – 45,3%
MONROE – 29,5%
KYB / KAYABA – 10,3%
Disco de freio
FREMAX – 44,8%
HIPPER FREIOS – 29,3%
TRW VARGA – 10,1%
Borracha de suspensão
MONROE AXIOS – 50,9%
SAMPEL – 14,0%
MOBENSANI – 8,0%
Baterias
MOURA – 58,6%
HELIAR – 30,0%
BOSCH – 4,5%
Pastilhas e lonas
COBREQ – 39,0%
FRAS-LE – 33,2%
SYL – 5,4%
Molas de suspensão
FABRINI – 19,0%
COFAP – 17,7%
TIGRE – 7,5%
Correias
CONTINENTAL CONTITECH – 38,1%
DAYCO – 29,5%
GATES – 22,6%
Pneus
PIRELLI – 23,9%
MICHELIN – 19,0%
CONTINENTAL – 18,8%
Juntas e retentores
SABÓ – 77,2%
HENGST – 6,3%
ELRING – 4,5%
Embreagens
LUK – 78,2%
SACHS – 11,4%
VALEO – 3,9%
Bandeja de suspensão
NAKATA – 28,9%
COFAP – 25,2%
PERFECT – 11,4%
Pivô e terminal
NAKATA – 30,6%
VIEMAR – 23,7%
PERFECT – 12,7%
Escapamentos
MASTRA – 23,9%
SCAPEX – 11,2%
TUPER – 8,4%
Sondas e sensores
NTK – 46,3%
BOSCH – 23,5%
MTE THOMSON – 12,3%
Velas de ignição
NGK – 86,6%
BOSCH – 10,3%
MAGNETI MARELLI – 0,9%
Bico injetor
BOSCH – 61,6%
MAGNETI MARELLI – 14,2%
NGK – 3,7%
Menos defeitos
NGK – 14,7%
BOSCH – 14,2%
COFAP – 11,2%
Óleos lubrificantes
MOBIL – 16,4%
BR LUBRAX – 12,9%
SHELL – 12,9%
Ferramentas
GEDORE – 52,8%
RAVEN – 9,7%
KING TONY – 4,7%
Equipamentos de oficina
SUN – 11,0%
ELEVACAR – 6,3%
RAVEN – 4,7%
Cursos e treinamentos
BOSCH – 9,5%
NGK – 3,4%
MONROE – 1,7%
Veículos populares
FIAT – 32,1%
VOLKSWAGEN – 25,2%
CHEVROLET – 22,8%
Veículos médios
TOYOTA – 16,8%
VOLKSWAGEN – 14,0%
CHEVROLET – 13,8%
Veículos de luxo
BMW – 17,5%
TOYOTA – 15,3%
MERCEDES-BENZ – 14,7%
Marca de autopeças mais admirada
BOSCH – 15,3%
COFAP – 9,5%
NGK – 8,6%
Pesquisa traz informações complementares sobre hábitos do reparador
Por Laura Lessa, do After.Lab
Além de mapear as marcas mais lembradas pelos reparadores, a Autop of Mind também traz, tradicionalmente, informações complementares sobre hábitos e rotinas de trabalho dos 464 entrevistados pelo time do After.Lab. A seguir, um resumo desses dados.
Decisão de marca
Somando todas as respostas, 84% dos reparadores afirmaram que são eles que escolhem a marca da autopeça a ser instalada, contra 13% que deixam a decisão com o proprietário do veículo. Esse padrão se mantém quando se analisa o dado por tamanho de oficina.
Ao observar o recorte por capital (Tabela 2), a dinâmica se repete, com variações locais. Fortaleza apresenta a menor distância entre as partes: ali, 25,7% dos respondentes disseram que o proprietário tem a palavra final na escolha da marca.
Tabela 2 – Percentual de decisão de troca por capital
Reparador – Belo Horizonte 86,5% | Brasília 85,4% | Curitiba 68,0% | Fortaleza 74,3% | Porto Alegre 85,7% | Recife 76,2% | Rio de Janeiro 85,4% | Salvador 81,2% | São Paulo 87,7%
Proprietário – Belo Horizonte 10,8% | Brasília 14,6% | Curitiba 16,0% | Fortaleza 25,7% | Porto Alegre 9,5% | Recife 23,8% | Rio de Janeiro 13,5% | Salvador 15,6% | São Paulo 8,6%
Loja de autopeças – Belo Horizonte 2,7% | Brasília 0,0% | Curitiba 8,0% | Fortaleza 0,0% | Porto Alegre 4,8% | Recife 0,0% | Rio de Janeiro 0,0% | Salvador 0,0% | São Paulo 0,0%
Concessionária – Belo Horizonte 0,0% | Brasília 0,0% | Curitiba 8,0% | Fortaleza 0,0% | Porto Alegre 0,0% | Recife 0,0% | Rio de Janeiro 1,1% | Salvador 3,1% | São Paulo 3,7%
Total – 100% em todas as capitais.
Onde compra as autopeças
Os distribuidores seguem como principal fonte de fornecimento de autopeças para as oficinas brasileiras, atendendo 55% de todos os reparadores entrevistados. Essa preferência independe do porte da oficina: distribuidores lideram em todos os estratos (micro, pequeno, médio e grande).
Em relação à edição anterior da Autop of Mind (2024), o varejo ganhou espaço: passou de 27% para 38% de participação na atual pesquisa, ainda distante, porém, da presença dos distribuidores. No recorte por capital, o cenário se repete, com uma exceção relevante: em São Paulo, o maior volume de compras vem das lojas de varejo, que concentram 64,4% dos fornecimentos de autopeças.
Tabela 3 – Tipo de estabelecimento em que os reparadores compram as peças, por capital
Distribuidor – Belo Horizonte 78,4% | Brasília 75,6% | Curitiba 76,0% | Fortaleza 60,0% | Porto Alegre 90,5% | Recife 95,2% | Rio de Janeiro 57,3% | Salvador 62,5% | São Paulo 28,8%
Loja de autopeças – Belo Horizonte 13,5% | Brasília 22,0% | Curitiba 16,0% | Fortaleza 31,4% | Porto Alegre 9,5% | Recife 4,8% | Rio de Janeiro 34,8% | Salvador 28,1% | São Paulo 64,4%
Concessionária – Belo Horizonte 8,1% | Brasília 2,4% | Curitiba 8,0% | Fortaleza 8,6% | Porto Alegre 0,0% | Recife 0,0% | Rio de Janeiro 6,7% | Salvador 9,4% | São Paulo 5,5%
Indústria – Belo Horizonte 0,0% | Brasília 0,0% | Curitiba 0,0% | Fortaleza 0,0% | Porto Alegre 0,0% | Recife 0,0% | Rio de Janeiro 0,0% | Salvador 0,0% | São Paulo 1,2%
Internet – Belo Horizonte 0,0% | Brasília 0,0% | Curitiba 0,0% | Fortaleza 0,0% | Porto Alegre 0,0% | Recife 0,0% | Rio de Janeiro 1,1% | Salvador 0,0% | São Paulo 0,0%
Total – 100% em todas as capitais.
Perfil dos entrevistados
Não houve estratificação prévia da amostra quanto ao ramo de atividade ou ao número de funcionários.
Quanto ao tipo de veículo atendido, 97,4% dos entrevistados trabalham com veículos leves e médios, enquanto 2,6% atendem veículos médios e pesados. Em relação ao fluxo diário, 38,1% das oficinas atendem de 6 a 10 veículos por dia; 30,2%, de 1 a 5 veículos; e 14,7% recebem de 11 a 15 veículos diariamente.
Sobre o porte das oficinas, 48,9% são classificadas como pequenas, com 1 a 4 funcionários; 27,2% são médias, com 5 a 9 funcionários; e 6,5% se enquadram como grandes, com mais de 20 colaboradores.















