IVCA: varejo cai 3,0% em termos reais em abril

IVCA aponta queda de 3,0% nas vendas do varejo em termos reais em abril

O varejo brasileiro encerrou abril de 2026 com queda de 3,0% em termos reais, já descontada a inflação, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, de acordo com o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA). É o pior resultado em mais de um ano. Em março de 2025, o setor havia recuado 3,8%.

O desempenho de abril foi impactado por uma combinação de fatores. A Páscoa ocorreu no início do mês, puxando parte das compras sazonais para março. Em 2025, além de a data ter caído mais tarde, houve emenda com o feriado de Tiradentes, o que impulsionou segmentos ligados a lazer, alimentação fora do lar e turismo e elevou a base de comparação para abril deste ano. A isso se somam uma inflação mais pressionada e o aumento do comprometimento da renda das famílias.

“O resultado de abril mostra um consumidor mais seletivo e atento ao orçamento. Em um ambiente de inflação mais alta em itens essenciais, o varejo sente primeiro a desaceleração nas categorias discricionárias. Ao mesmo tempo, segmentos ligados à conveniência, saúde e eficiência de compra seguem mostrando maior capacidade de adaptação”, afirma Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo.

A inflação teve papel central no quadro. O IPCA-15 subiu 0,89% em abril, acima dos 0,43% registrados no mesmo mês de 2025. No acumulado de 12 meses, o índice atingiu 4,37%. Alimentação e transportes responderam por cerca de 65% da alta mensal, pressionados pelo encarecimento dos combustíveis e dos alimentos consumidos em casa.

Canais

Na análise por canais, o e-commerce continuou sendo o principal motor de crescimento, com alta nominal de 6,5% na comparação anual. Já o varejo físico ficou praticamente estável, com avanço nominal de apenas 0,2%.

“A pressão inflacionária de abril não só reduziu o resultado real do varejo como também mudou o perfil de consumo das famílias. Setores essenciais mostraram maior resiliência, enquanto as categorias discricionárias sentiram mais intensamente o aperto no orçamento. Esse ambiente econômico mais restritivo favorece decisões de compra mais racionais. O canal digital se apoia justamente na facilidade de comparação de preços, na conveniência e na expansão da malha logística em várias regiões do país”, avalia Alves.

Macrossetores

Entre os macrossetores, serviços registraram o maior recuo real, de 5,5%, afetados pelo calendário menos favorável em categorias como alimentação fora do lar, recreação, lazer e turismo. Bens duráveis e semiduráveis caíram 4,9%, com vestuário e artigos esportivos como principais destaques negativos, seguidos por móveis, eletroeletrônicos e lojas de departamento. Bens não duráveis tiveram o desempenho menos fraco, com retração real de 1,6%, puxada positivamente por drogarias e farmácias.

Regiões

Todas as regiões do país apresentaram queda real em abril. O pior desempenho veio do Nordeste, com recuo de 4,7%, seguido por Norte (-3,8%), Sudeste (-3,4%) e Sul (-2,7%). O Centro-Oeste teve a menor retração, de 1,4%. Entre os estados, o Amapá foi o destaque positivo, com crescimento real de 2,7%. Na outra ponta, Piauí (-7,7%), Rio Grande do Norte (-6,6%) e Pernambuco (-5,5%) registraram as maiores quedas.