Taxa de desemprego aumenta em 15 estados no 1º trimestre, indica IBGE

Desemprego Sobe em 15 Estados no 1º Trimestre de 2024, Aponta IBGE

A taxa de desemprego nas unidades da Federação variou de 2,7% em Santa Catarina a 10% no Amapá no primeiro trimestre de 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (14/05) pelo IBGE. No Brasil, a desocupação subiu para 6,1% no período, após registrar 5,1% nos três últimos meses de 2025. Mesmo com a alta, o nível atual ainda é o menor para um primeiro trimestre desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012.

O resultado nacional foi antecipado em 30 de abril. A nova divulgação detalha o comportamento do mercado de trabalho por estado e pelo Distrito Federal, além de trazer recortes adicionais da pesquisa.

A elevação da taxa de desemprego no país veio acompanhada de alta em 15 unidades da Federação em relação ao quarto trimestre de 2025, informou o IBGE. Nas outras 12, o indicador permaneceu estatisticamente estável.

Os estados com aumento da desocupação foram: Ceará (+2,3 pontos percentuais), Acre (+1,8 p.p.), Tocantins (+1,6 p.p.), Mato Grosso do Sul (+1,4 p.p.), Paraíba (+1,3 p.p.), Maranhão (+1,3 p.p.), São Paulo (+1,3 p.p.), Alagoas (+1,2 p.p.), Bahia (+1,2 p.p.), Pará (+1,2 p.p.), Goiás (+1,2 p.p.), Minas Gerais (+1,2 p.p.), Rondônia (+1,1 p.p.), Espírito Santo (+0,8 p.p.) e Santa Catarina (+0,5 p.p.).

De acordo com William Kratochwill, analista da pesquisa no IBGE, é comum a taxa de desocupação subir no primeiro trimestre em função da dispensa de trabalhadores temporários. Esse movimento se relaciona à desaceleração sazonal do comércio após o fim de ano e ao encerramento de contratos em áreas como educação e saúde no setor público municipal.

“É importante lembrar também que outros 12 estados permaneceram com estabilidade na desocupação em relação ao trimestre anterior, demonstrando que o mercado de trabalho conseguiu, de alguma forma, absorver parte dos contratos temporários de fim de ano”, afirma Kratochwill.

A Pnad Contínua considera a população de 14 anos ou mais. Para ser classificada como desempregada, a pessoa precisa estar sem qualquer tipo de ocupação – formal ou informal – e, ao mesmo tempo, em busca ativa de trabalho. Não basta apenas não estar trabalhando.

Apesar da recente alta, analistas ainda veem sinais de resiliência no mercado de trabalho, apoiados no crescimento econômico dos últimos anos. A dinâmica demográfica também pesa: com o envelhecimento da população, uma parcela maior de brasileiros tende a deixar a força de trabalho, reduzindo a pressão sobre a taxa de desemprego.

Outro fator relevante é a criação de vagas associadas à tecnologia e ao trabalho mediado por plataformas digitais. Estudo do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), divulgado no ano passado, estimou que as atividades em aplicativos reduziram a taxa de desocupação em cerca de 1 ponto percentual.