Abra Talks debate o papel estratégico e os desafios da sustentabilidade na indústria

Abra Talks debate o papel estratégico e os desafios da sustentabilidade na indústria


O vigésimo sétimo episódio do Abra Talks da ABRAFILTROS – Associação Brasileira das Empresas de Filtros Automotivos, Industriais e para Estações de Tratamento de Água, Efluentes e Reúso, videocast transmitido na TV Filtros/Youtube, que abordou o tema “O papel da indústria na promoção da sustentabilidade e na preservação dos recursos naturais”, já está disponível. No episódio, ao celebrar o mês do meio ambiente, Adriano Bonazio, Secretário Executivo da Abrafiltros entrevistou Mayara Ribeiro, Coordenadora de sustentabilidade na ISA ENERGIA BRASIL.

Durante o bate-papo, a especialista ressaltou o novo papel da sustentabilidade nas indústrias, que deixou de estar focado apenas em ações filantrópicas para se tonar um setor estratégico e conectado diretamente ao cerne do negócio. “A visão da indústria como a “vilã” do meio ambiente pertence ao modelo de produção linear do século XX. Atualmente, o setor desempenha uma função crucial na transição energética global ao desenvolver os equipamentos para energias renováveis e novos combustíveis de baixo impacto”, afirma.

Com relação à preservação dos recursos naturais por parte das indústrias, disse que o período é de mudanças. “Ela está começando a buscar soluções para consumir menos matérias primas, recursos naturais e, assim ter produtos com menor impacto, e também tem a questão do ecodesign – está pensando no ciclo de vida do produto como um todo para que seja mais reciclável”, comenta. Destacou que tem um estudo do World Economic Forum que cita que a transição para um mundo de baixo carbono vai conseguir trazer cerca de 3 bilhões de dólares para a economia.

Diferenças entre compliance e estratégia – Para ela, a regulação representa o “piso”, as obrigações mínimas de conformidade, enquanto a estratégia de sustentabilidade representa o “teto”, onde está o diferencial competitivo e a geração de valor a longo prazo.

Critérios para uma boa estratégia de sustentabilidade – Segundo Mayara, deve ter conexão real com o negócio. As ações precisam fazer sentido dentro do modelo de produção da empresa. “Uma siderúrgica deve focar na pegada de carbono do aço, não em pautas desconectadas com o negócio”, afirma. Além disso, deve haver forte governança.“Os indicadores ambientais e sociais devem ser acompanhados com o mesmo rigor que os índices financeiros (como o EBITDA) e metas de remuneração devem ser consideradas”, diz.

Ações focadas geram resultados– Mayara cita que na área de sustentabilidade não adianta “abraçar o mundo”, atuar de forma pulverizada, por exemplo, educação, comunidade do entorno, ecoeficiência, diversidade de gênero. “Sem foco no modelo de negócio, os recursos finitos se perdem e o impacto real acaba sendo drasticamente reduzido”, explica.

Frentes ESG – Conforme a entrevistada, a pauta ESG na indústria nacional vem sendo impulsionada por algumas frentes: uso intensivo de matéria prima e recursos naturais, pegada de carbono e crise climática e um ponto não ambiental – direitos humanos e práticas trabalhistas.

Cenário brasileiro e tendências – Mayara fala também as vantagens e gargalos no país. “A indústria nacional larga na frente globalmente por ter uma matriz elétrica extremamente renovável, o que diminui a pegada de carbono dos produtos”, diz. Mas, há os entraves logísticos, com a dependência do modal rodoviário, e tributários, onde a matéria-prima reciclada muitas vezes custa mais caro que a virgem.

Sobre a logística reversa, comenta que os insumos que contam com regulação relevante ou valor agregado já está funcionando muito bem, mas o desafio está no tratamento de resíduos em massa de centros urbanos, vidros e embalagens, ainda carecem de incentivos econômicos corretos. “Você usar materiais recicláveis deve ser mais barato que utilizar os virgens”, lembra. Na oportunidade, Bonazio destaca o Descarte Consciente Abrafiltros, programa de logística reversa, que já reciclou, desde 2012, mais de 55 milhões de filtros usados do óleo lubrificante automotivo nos estados de São Paulo, Paraná, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul.

Entre outros assuntos, também aborda a importância da educação ambiental na infância. “Quando as escolas fazem projetos de reciclagem ou de coletas de resíduos, os impactos vão além da criança, pois começam a olhar isto dentro da própria casa”, ressalta.

Ao final da entrevista, Mayara fala sobre o futuro. “Acredito que o país continuará na trilha do aumento de maturidade em questões relacionadas à sustentabilidade. Mas, além de mitigar emissões, o futuro exigirá foco severo na resiliência a desastres climáticos já existentes ou seja a questão de adaptação climática está ficando cada vez mais relevante”, finaliza.

Para acessar a entrevista na íntegra, basta entrar no link: https://www.youtube.com/watch?v=6Gn7HNpWPE8.