Neste ano, embora o comércio atacadista paulista siga em trajetória de crescimento, o setor já dá sinais claros de desaceleração em um ambiente econômico mais desafiador. Levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), com base em dados da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados (Abad), mostra que as vendas cresceram 5,2% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. Porém, o volume efetivamente comercializado avançou apenas 0,9%, o que indica que boa parte do aumento do faturamento está ligada à alta de preços, e não a um ganho consistente de demanda.
As informações estão detalhadas na Carta Setorial do Conselho do Comércio Atacadista da FecomercioSP.
De acordo com a análise, juros altos, inflação persistente, crédito mais caro e maior endividamento das famílias continuam restringindo o consumo. Apesar de o mercado de trabalho se manter relativamente estável, o poder de compra segue pressionado. Nesse contexto, os resultados das empresas passam a depender mais do aumento do tíquete médio das operações do que de um avanço sólido das vendas em volume.
O cenário de cautela também afeta diretamente a gestão de estoques no varejo, com reflexos sobre o atacado. Dados da FecomercioSP apontam aumento da fatia de empresas com estoques acima do nível considerado adequado, o que sugere dificuldade de escoar mercadorias. Ao mesmo tempo, muitos empresários seguem operando com estoques mais enxutos, adotando uma postura conservadora na hora de comprar e repor produtos diante das incertezas do quadro econômico.
No mercado de trabalho, o setor registrou, em abril, saldo negativo de 299 vagas formais, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Ainda assim, o estoque total de trabalhadores chegou a 654,2 mil vínculos no Estado de São Paulo, alta de 2,8% em relação ao mesmo mês de 2025. Para a FecomercioSP, esses números mostram que o emprego ainda sustenta parte da atividade econômica, embora já haja sinais de acomodação alinhados à desaceleração observada em outros indicadores.
A Entidade chama atenção, ainda, para o avanço do endividamento das famílias, que exige maior cuidado por parte das empresas. Entre janeiro e maio, o percentual de consumidores endividados passou de 68,9% para 74,2%, o maior patamar dos últimos 12 meses. Diante disso, a recomendação da FecomercioSP é reforçar o planejamento financeiro, manter rigor na gestão de estoques e do capital de giro, buscar ganhos de eficiência operacional e adotar critérios mais restritivos na concessão de crédito, reduzindo a exposição a riscos em um ambiente de elevada instabilidade.
A publicação reúne dados, gráficos e análises que ajudam o empresariado a compreender o momento e a se preparar melhor para decisões de curto e médio prazos.
















