ibge: percentual de usuários de internet no país supera 90% da população com 10 anos ou mais

IBGE: Uso da Internet no Brasil Ultrapassa 90% da População com 10 Anos ou Mais

A proporção de usuários de internet no Brasil superou, pela primeira vez, a marca de 90% da população com 10 anos ou mais em 2025. Os dados são da PNAD Contínua: Acesso à Internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal, divulgada pelo IBGE nesta quinta-feira (2).

Em um universo estimado de 186,4 milhões de pessoas com 10 anos ou mais, 168,7 milhões (90,5%) usaram a internet nos três meses anteriores à pesquisa. Nas áreas urbanas, a taxa chega a 91,5%, enquanto nas zonas rurais é de 83,0%.

O avanço é consistente desde 2016, primeiro ano da série histórica, quando 66,0% da população nessa faixa etária acessava a rede. Em 2019, o índice era de 79,4% e, em 2024, de 89,2%. A alta de 2024 para 2025 foi de 1,3 ponto percentual, suficiente para romper o patamar de 90% na média nacional.

Regionalmente, o Centro-Oeste manteve a liderança em 2025, com 93,6% da população conectada. Norte (89,7%) e Nordeste (88,5%) seguem abaixo das demais regiões.

Mulheres lideram uso; escolaridade faz diferença

No recorte por sexo, 91,1% das mulheres usaram a internet em 2025, ligeiramente acima dos homens (89,9%).

A escolaridade é um divisor claro. Entre pessoas sem instrução, apenas 50,1% acessaram a internet. Nos grupos com ensino superior incompleto e completo, o uso é praticamente universal: 98,4% e 97,4%, respectivamente.

Por cor ou raça, o acesso é semelhante, com leve vantagem das pessoas brancas: 91,3%, ante 90,0% para pretas e 89,9% para pardas.

A taxa de uso é de 84,4% entre jovens de 10 a 13 anos e cresce nos grupos etários seguintes, superando 96% entre 20 e 39 anos. A partir daí, começa a cair: 91,8% de 50 a 59 anos e 74,5% entre idosos (60 anos ou mais). Apesar de ainda serem o grupo com menor uso, os idosos foram os que mais avançaram em relação a 2024, com alta de 4,4 pontos percentuais.

Rede privada ainda à frente no acesso entre estudantes

Entre estudantes, 92,4% utilizaram a internet em 2025 — o mesmo nível de 2024. Entre os não estudantes, o índice chegou a 90,0%, com crescimento de 1,6 ponto percentual em um ano.

A rede de ensino, porém, ainda marca diferenças importantes. Entre alunos da rede privada, 97,2% usaram a internet; na rede pública, 89,9%. A maior distância está no ensino fundamental: 93,8% dos estudantes da rede privada acessaram a internet, contra 85,0% na rede pública, uma diferença de 8,8 pontos percentuais.

No ensino superior e na pós-graduação, o acesso é praticamente universal em ambas as redes: 98,4% dos estudantes da rede privada e 98,9% da pública.

Uso diário e domínio do celular

Desde 2022, a PNAD Contínua também mede a frequência de uso. Em 2025, entre as pessoas que usaram internet nos três meses anteriores, 95,6% acessaram a rede todos os dias. Outros 1,8% utilizaram quase todos os dias (cinco ou seis vezes por semana); 2,1% acessaram de uma a quatro vezes por semana; e só 0,5% usaram menos de uma vez por semana. O uso diário vem subindo gradualmente desde 2022, quando estava em 93,4%.

O celular segue como o principal meio de acesso: 98,7% dos usuários usaram telefone móvel para se conectar. Em seguida aparecem a televisão (57,8%), o microcomputador (33,4%) e o tablet (9,2%). Entre 2024 e 2025, aumentou o número de pessoas que acessam a internet pela TV (alta de 4,3 pontos percentuais) e pelo tablet (1,0 p.p.), enquanto celular e microcomputador permaneceram estáveis.

Conversar por chamadas de voz ou vídeo é a finalidade mais citada, informada por 95,3% dos usuários em 2025. Em seguida vêm o envio e recebimento de mensagens de texto, voz ou imagem por aplicativos (exceto e-mail), finalidade mencionada por 90,2%.

Outros usos apontados por mais da metade dos usuários no período foram:

  • assistir a vídeos, programas, séries e filmes (89,3%);
  • usar redes sociais (84,9%);
  • ouvir músicas, rádio ou podcasts (83,7%);
  • acessar bancos ou instituições financeiras (74,2%);
  • ler jornais, notícias, livros ou revistas (69,0%);
  • enviar ou receber e-mails (61,2%).

Pela primeira vez na série, mais da metade dos usuários afirmou realizar compras ou encomendar bens e serviços pela internet (52,7%).

Entre as finalidades que mais cresceram em relação a 2024 estão: compras e encomendas online (alta de 4,8 p.p.), acesso a serviços bancários e financeiros (3,2 p.p.) e uso de serviços públicos pela internet (2,5 p.p., de 38,6% para 41,1%).

Motivos para ficar offline e avanço da preocupação com segurança

Mesmo com a expansão do acesso, 9,5% da população com 10 anos ou mais — o equivalente a 17,7 milhões de pessoas — não usaram a internet em 2025. É o menor patamar da série. Em 2024, eram 10,8% (20 milhões de pessoas), e em 2019, 20,6% (36,7 milhões).

Entre quem não acessou a rede, o principal motivo foi não saber usar a internet (44,9%), seguido da falta de necessidade (27,8%). Razões econômicas — serviço de acesso caro ou equipamento caro — somaram 9,0%.

A preocupação com privacidade ou segurança foi citada por 5,3% dos não usuários, e a falta de tempo, por 4,6%. A questão da privacidade vem ganhando peso: desde 2022, quando esse motivo passou a ser investigado, sua participação quase dobrou, subindo 3,0 pontos percentuais no acumulado do período, sobretudo entre os mais jovens.

Na faixa de 10 a 13 anos, a preocupação com privacidade ou segurança foi o segundo motivo mais citado para não usar internet (30,3%), possivelmente refletindo restrições impostas por pais ou responsáveis. Nesse grupo, apenas 8,2% disseram não saber utilizar a rede. Já entre idosos que não usam internet, 66,5% apontaram o desconhecimento como principal razão.

Celular se consolida e ainda há 19 milhões sem aparelho

Em 2025, 167,4 milhões de pessoas com 10 anos ou mais possuíam telefone móvel celular para uso pessoal, o equivalente a 89,8% da população nessa faixa etária. É o maior índice da série histórica.

A posse de celular vem crescendo desde 2016, quando 77,4% tinham aparelho. Em 2019, o percentual era de 81,3%, e em 2024, de 88,9%. De 2024 para 2025, houve alta de 0,9 ponto percentual.

Por faixa etária, o menor índice de posse aparece entre crianças de 10 a 13 anos (55,2%), saltando para 88,5% entre 14 e 19 anos. Os maiores percentuais estão entre adultos de 25 a 29 anos e de 30 a 39 anos, ambos com 97,2%. A partir daí, o uso recua gradualmente até 93,5% no grupo de 50 a 59 anos, com queda mais forte entre idosos de 60 anos ou mais (80,3%).

Ainda assim, 19,1 milhões de pessoas não tinham celular próprio em 2025, o que representa 10,2% da população com 10 anos ou mais. Em 2019, essa fatia era de 18,7%, e em 2024, de 11,1%.

Entre os que não possuem aparelho, três motivos concentram cerca de dois terços dos casos:

  • 31,1% afirmaram não saber usar celular;
  • 21,1% disseram não ver necessidade em ter o aparelho;
  • 14,9% apontaram o alto custo do telefone.

Outras razões foram: preocupação com privacidade ou segurança (11,8%); uso habitual de aparelho de outra pessoa (10,1%); serviço caro (1,9%); e inexistência de cobertura nos locais frequentados (0,4%). Além disso, 8,9% mencionaram outros motivos não especificados.

Destaques da pesquisa

  • Em 2025, 90,5% dos 186,4 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais (168,7 milhões de pessoas) usaram internet nos três meses anteriores à pesquisa, ultrapassando pela primeira vez o patamar de 90% na média nacional.
  • O Centro-Oeste registrou a maior proporção de usuários entre as grandes regiões, com 93,6%.
  • No país, 91,1% das mulheres usaram internet em 2025, acima dos 89,9% registrados entre os homens.
  • Entre idosos de 60 anos ou mais, 74,5% utilizaram a internet em 2025. Apesar do patamar ainda mais baixo, esse grupo foi o que mais cresceu no ano, com aumento de 4,4 pontos percentuais em relação a 2024.
  • Entre os usuários de internet, 95,6% acessam a rede todos os dias.
  • Conversar por chamadas de voz ou vídeo segue como a finalidade mais comum de uso da internet, citada por 95,3% dos usuários.
  • As finalidades que mais cresceram em relação a 2024 foram: acesso a bancos e instituições financeiras (74,2% dos usuários, +3,2 p.p.); compras ou encomendas de bens e serviços (52,7%, +4,8 p.p.); e uso de serviços públicos online (41,1%, +2,5 p.p.).
  • Entre quem não usou internet no período de referência, 44,9% disseram não saber usar a rede. Entre idosos na mesma condição, esse percentual chega a 66,5%.
  • A preocupação com privacidade ou segurança foi apontada por 5,3% dos que não usaram internet em 2025, ante 2,3% em 2022. Entre pessoas de 10 a 13 anos que não acessaram a rede, 30,3% citaram esse motivo como principal.
  • Em 2025, 167,4 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais tinham telefone celular para uso pessoal, o que representa 89,8% dessa população.