Em 2026, as vendas de veículos novos no Brasil devem crescer acima do previsto inicialmente pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). A entidade revisou para cima suas projeções e agora estima uma alta de 8,6% no ano, com mais de 5,2 milhões de unidades comercializadas.
A nova projeção considera o total de emplacamentos de automóveis, comerciais leves (picapes e furgões), ônibus, caminhões, motocicletas e implementos rodoviários (como carrocerias). No começo do ano, a expectativa era de um crescimento bem mais moderado, de 6,1%.
Quando se observam apenas automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, a Fenabrave projeta um avanço de 7,9%, com cerca de 2,7 milhões de unidades vendidas. A previsão anterior apontava para uma alta bem mais tímida, de 3,02%.
No segmento de motocicletas, a federação trabalha com um cenário ainda mais favorável: expectativa de recorde histórico, com aumento de 10% nas vendas e volume acima de 2,4 milhões de unidades em 2026.
Em coletiva de imprensa em São Paulo, o presidente da Fenabrave, Arcélio Junior, explicou que o desempenho do mercado nos primeiros meses do ano obrigou a entidade a revisar seus números. Segundo ele, o setor vem registrando “crescimento acima do esperado”.
“Tivemos um crescimento acima da nossa previsão inicial e, diante disso, passamos a tarde de ontem revisando e reanalisando os dados. Conversamos sobre cada segmento e agora estamos reavaliando nossas projeções”, afirmou.
No primeiro semestre, o mercado de veículos como um todo registrou expansão de 16,01%, com 2.715.403 unidades comercializadas. “Neste ano, tivemos um crescimento surpreendente na venda de veículos”, reforçou Arcélio Junior.
De acordo com a Fenabrave, parte desse resultado é explicada pelo programa federal Carro Sustentável, que reduz as alíquotas do IPI para veículos mais leves e menos poluentes. Também contribuíram para o avanço as reduções de preços impulsionadas pela concorrência e a expansão da rede de concessionárias, que hoje soma 8.401 empresas filiadas à entidade.
Somente automóveis e comerciais leves cresceram 20,11% em emplacamentos no acumulado do ano até junho, em comparação com o mesmo período de 2025, alcançando 1.359.107 unidades. As motos também mantiveram forte ritmo, com 1.174.459 unidades emplacadas, alta de 14,10% na mesma base de comparação.
Já os segmentos de ônibus e caminhões seguem em terreno negativo. No acumulado de 2026, as vendas caíram 9,09%, com 61.020 novas unidades comercializadas. Para o fechamento do ano, a projeção continua apontando retração: queda de 7,8% para caminhões e de 9,2% para ônibus.
“No segmento de caminhões, tivemos um crescimento em junho de quase 15% em relação a maio e de 13,5% na comparação com junho do ano passado, basicamente impulsionado pelo programa Move Brasil”, afirmou o diretor executivo da Fenabrave, Marcelo Franciulli.
Ele ressalta, no entanto, que o programa, que oferece juros reduzidos para a troca de caminhões mais antigos, ainda não foi suficiente para reverter a tendência de queda que vem de anos. “A informação que temos é que os recursos aportados no Move 2 já se esgotaram. Porém, há muitas operações que ainda não se converteram em emplacamentos em função da burocracia”, explicou Franciulli.
















