As perdas no varejo brasileiro alcançaram 42,1 bilhões de reais em 2025. De acordo com a 9ª Pesquisa Abrappe de Perdas no Varejo Brasileiro, divulgada em junho de 2026 pela Associação Brasileira de Prevenção de Perdas, o valor representa um crescimento de 15,3% em relação ao ano anterior e equivale a 1,65% do faturamento total do setor.
O estudo destaca o e-commerce como um aliado estratégico para reduzir prejuízos e otimizar estoques. Com mais de 50% dos brasileiros já comprando pela internet, a transformação digital nas Pequenas e Médias Empresas (PMEs) deixa de ser tendência e passa a ser um requisito básico para manter competitividade e controle operacional.
Entre os principais pontos do levantamento, estão: – As perdas no varejo cresceram 15,3%, somando 42,1 bilhões de reais em 2025. – Mais da metade dos usuários de internet no Brasil já realizou ao menos uma compra online. – A digitalização contribui para um controle mais preciso de entradas e saídas de mercadorias. – Lojas online ampliam o alcance geográfico e rompem limites do mercado local. – A operação digital exige novas práticas de segurança e gestão, sem eliminar totalmente os riscos.
As perdas consideradas na pesquisa têm múltiplas origens: furtos, fraudes, falhas operacionais, rupturas de estoque e problemas logísticos, entre outros fatores. Portanto, não se trata apenas de criminalidade no ponto de venda, mas de uma dificuldade estrutural em monitorar com precisão tudo o que entra, permanece em estoque e é efetivamente vendido.
O desafio é ainda maior em setores com grande variedade de itens ou produtos de alto valor unitário — caso de boa parte do comércio de autopeças. Estoques extensos, circulação intensa de funcionários e clientes, recebimento frequente de mercadorias e múltiplos locais de armazenagem aumentam os pontos vulneráveis da operação se não houver monitoramento rígido em cada etapa.
Consumidor brasileiro incorpora a compra online ao dia a dia
A expansão do comércio digital acompanha uma mudança clara no comportamento do consumidor. Dados da PNAD Contínua TIC 2025, divulgados pelo IBGE em julho de 2026, mostram que 90,5% da população com 10 anos ou mais usou a internet em 2025. Pela primeira vez na série histórica, mais da metade desses usuários (52,7%) declarou ter comprado ou encomendado produtos e serviços online.
Em apenas um ano, a fatia de brasileiros que compram pela internet cresceu 4,8 pontos percentuais. Vender online deixa, assim, de ser um movimento restrito a nichos específicos e passa a fazer parte da rotina de uma parcela significativa da população.
Para o comerciante, isso significa que o canal digital pode e deve ser pensado como extensão da operação, e não apenas como vitrine de divulgação. Um ponto de venda que depende exclusivamente do fluxo de clientes no endereço físico restringe sua área de atuação ao entorno daquela loja. Já no ambiente online, o catálogo passa a ser acessível por compradores de outras cidades e regiões.
Essa mudança é particularmente relevante para negócios com portfólio técnico ou segmentado, como peças automotivas e componentes específicos. Um item de baixa saída na praça local pode ganhar giro quando apresentado a um mercado mais amplo via internet.
Como a digitalização contribui para uma gestão de estoque mais eficiente
Reduzir perdas continua dependendo de processos internos bem definidos: inventários regulares, controle de acesso, treinamento de equipes e acompanhamento constante. Apenas criar um canal digital não resolve furtos, erros de registro ou falhas operacionais. O ganho real ocorre quando a digitalização vem acompanhada de uma gestão integrada entre estoque e vendas.
Uma operação de e-commerce bem estruturada permite registrar entradas e saídas com mais rigor, acompanhar pedidos em tempo real e identificar com clareza quais produtos giram mais e quais encalham. Com isso, o comerciante consegue tomar decisões mais assertivas sobre reposição, promoções, liquidações e dimensionamento dos níveis de estoque físico.
Para empresas que ainda estão dando os primeiros passos no ambiente digital, o uso de criadores de sites pode ser um estágio importante. Esse tipo de ferramenta ajuda a organizar o catálogo de produtos, as informações comerciais, os canais de contato e o conteúdo técnico antes de avançar para plataformas de venda mais robustas.
Ter um site próprio também garante ao lojista um ponto digital sob seu controle, onde pode apresentar a empresa, detalhar produtos, condições comerciais e formas de atendimento. Essa presença pode conviver com marketplaces, redes sociais e outros canais, diminuindo a dependência de uma única fonte de tráfego e clientes.
Riscos e oportunidades na venda online
A migração para o digital não elimina o risco de perdas — apenas muda de natureza. O e-commerce lida com ameaças específicas, como fraudes em meios de pagamento, invasão de contas, falsas identidades e falhas na cadeia de entrega.
Por isso, a transição precisa ser acompanhada de investimentos em segurança digital, escolha criteriosa de meios de pagamento, atualização contínua de sistemas e implantação de rotinas de conferência de pedidos. Trata-se de substituir uma operação centrada apenas no espaço físico por uma estrutura mais distribuída, rastreável e integrada entre diferentes canais de venda.
Os 42,1 bilhões de reais em perdas registrados pela Abrappe evidenciam que o controle operacional segue sendo uma questão financeira crítica para o varejo. Ao mesmo tempo, o avanço do comércio eletrônico e o aumento do número de brasileiros que compram online mostram que há espaço concreto para diversificar canais e modelos de operação.
Para pequenos e médios negócios, especialmente no setor automotivo e de autopeças, a digitalização não deve ser vista só como um meio de vender mais, mas como parte de uma estratégia mais ampla: organizar melhor o estoque, acessar novos mercados consumidores e reduzir a dependência de uma operação 100% concentrada no balcão físico.

















