Iniciativa de dois anos une formação acadêmica, atuação em projetos reais nas empresas e mentoria para acelerar o desenvolvimento de engenheiros para a indústria automotiva
A AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva e o Instituto Minerva lançam o Programa de Residência em Engenharia Automobilística, iniciativa voltada à formação e ao desenvolvimento de engenheiros para as novas demandas da indústria automotiva. Com duração de dois anos e inspirado no conceito de residência médica, o programa integra formação em nível de pós-graduação, atuação profissional em projetos reais e acompanhamento técnico e de carreira. O lançamento ocorreu durante o XXXIII Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva, promovido pela AEA nos dias 26 e 27 de agosto, no Novotel Center Norte, em São Paulo, sob o tema “Brasil em Movimento: Engenharia e Tecnologia a Serviço da Sustentabilidade”.
A iniciativa nasce de um desafio identificado no Fórum Estratégico de Engenharia da AEA, criado a partir da revisão do Plano Estratégico da entidade. Nas discussões sobre o futuro da indústria automotiva brasileira, a disponibilidade de mão de obra especializada apareceu como um dos principais gargalos, com destaque para a necessidade de formar e direcionar engenheiros qualificados para posições técnicas nas empresas.
O cenário se torna ainda mais relevante diante das transformações tecnológicas da indústria. Transição energética, eletrificação, combustíveis alternativos, veículos definidos por software, cibersegurança, sistemas avançados de assistência ao condutor e manufatura 4.0 estão entre as frentes que ampliam as competências demandadas dos profissionais. Para a AEA, a formação de novos engenheiros também está relacionada à manutenção dos centros de pesquisa e desenvolvimento e da capacidade de engenharia instalada no País.
“Temos um problema sistemático no Brasil, que é a falta de engenheiros para ocupar posições técnicas nas nossas empresas. Identificamos a necessidade de formar mais profissionais ou direcionar engenheiros com boa qualificação para a indústria, preparando-os para os desafios da transição energética, da transição tecnológica e de toda a transformação pela qual o setor está passando”, afirma Everton Lopes, vice-presidente da AEA.
O desafio também envolve tornar a indústria uma opção atraente para os novos profissionais. Durante a estruturação do programa, o grupo de trabalho da AEA discutiu a migração de engenheiros recém-formados para outros segmentos da economia, entre eles o mercado financeiro. A questão colocada pelo grupo foi como atrair esses profissionais para a indústria e, ao mesmo tempo, prepará-los para suas novas necessidades.
Residência aplicada à Engenharia – O modelo desenvolvido pela AEA e pelo Instituto Minerva transpõe para a Engenharia um dos princípios que orientam a residência médica: complementar a formação acadêmica com experiência profissional acompanhada.
A Residência em Engenharia Automobilística terá uma jornada de 60 horas semanais. Desse total, 40 horas serão dedicadas ao ensino em serviço dentro da empresa, com participação do residente em atividades e projetos reais. As outras 20 horas serão destinadas à formação conduzida pelo Instituto Minerva.
O pilar educacional contempla uma pós-graduação em formato MBA, com duração de dois anos e cerca de 80 disciplinas. A metodologia utiliza uma sequência contínua de aprendizagem, na qual os conteúdos são retomados ao longo do programa à medida que o profissional adquire experiência e aplica os conhecimentos na empresa.
“Na Engenharia, o profissional muitas vezes conclui a graduação sem ter ainda uma experiência efetiva de trabalho e chega ao mercado sem um acompanhamento estruturado. A residência parte justamente dessa questão. Ao longo dos dois anos, ele aprende trabalhando, participa de projetos reais e, ao mesmo tempo, conta com formação e acompanhamento para acelerar seu desenvolvimento profissional”, afirma Lucas Moreira, presidente do Instituto Minerva.
Desenvolvimento de cinco anos em dois – A aceleração do desenvolvimento profissional é uma das principais propostas do programa. Segundo Moreira, “pelas trajetórias tradicionais de ingresso na Engenharia, são necessários cerca de cinco anos para que um profissional avance de uma posição inicial até alcançar a capacidade plena de atuação associada a um engenheiro de nível pleno”.
Na Residência, o objetivo é alcançar esse patamar em dois anos, conceito definido pelo Instituto como uma “plataforma de aceleração de resultado 5 para 2”. A proposta é que o aprendizado aconteça dentro da realidade da própria empresa. Os projetos, a cultura organizacional e as necessidades técnicas de cada companhia passam a integrar o percurso do residente, com o objetivo de desenvolver, ao final do programa, profissionais preparados para assumir responsabilidades técnicas de maior complexidade.
Além da educação e do ensino em serviço, o terceiro pilar do programa é a mentoria com apoio psicológico continuado. Cada residente terá acompanhamento técnico dentro da empresa e uma mentoria externa conduzida pelo Instituto Minerva. O modelo inclui um Plano de Desenvolvimento Individual (PDI), utilizado para acompanhar a evolução ao longo dos dois anos, identificar necessidades de desenvolvimento e ajustar o percurso do participante.
A estrutura também conta com facilitadores responsáveis pelos conteúdos de formação e com avaliações periódicas, que permitem ao residente e à empresa acompanhar sua evolução. Ao final do programa, o participante recebe diploma com assinatura conjunta da AEA e do Instituto Minerva.

















