Brasil gera 145,1 mil empregos formais em junho e supera 921 mil vagas no 1º semestre

Brasil cria 145,1 mil empregos formais em junho e supera 921 mil vagas no 1º semestre de 2024

O Brasil abriu 145.161 vagas com carteira assinada em junho, resultado de 2.220.131 admissões e 2.074.970 demissões, segundo o Novo Caged. Com isso, o estoque de empregos formais chegou a 48.032.308 vínculos no país.

Os dados foram divulgados pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, na quarta-feira, 29, em Brasília. No primeiro semestre, foram criados 921.645 postos de trabalho, alta de 1,96% em relação ao total de vínculos formais existentes no início do ano.

No acumulado dos últimos 12 meses, entre julho de 2025 e junho de 2026, o saldo é de 963.921 vagas, o que representa crescimento de 2,1% no emprego formal.

Serviços seguem à frente

Os cinco grandes setores da economia registraram saldo positivo em junho. Serviços lideraram a geração de empregos, com 74.514 novas vagas (+0,3%), puxados por atividades administrativas e serviços complementares (+26.634), saúde humana e serviços sociais (+20.436) e transporte, armazenagem e correio (+16.217).

Na sequência, vieram a Agropecuária, com 22.898 empregos (+1,2%), impulsionada pelo cultivo de laranja, café e atividades de apoio à agricultura; o Comércio, com 19.177 postos (+0,2%); a Indústria, que abriu 14.438 vagas (+0,2%), com destaque para alimentos e veículos; e a Construção, responsável por 14.136 empregos (+0,5%), apoiada principalmente por obras de infraestrutura.

Emprego cresce em 25 estados

Em junho, 25 das 27 unidades da Federação tiveram saldo positivo de emprego. Em números absolutos, São Paulo liderou com 34.981 vagas, seguido por Minas Gerais (+20.805) e Rio de Janeiro (+16.856). Em termos proporcionais, os maiores avanços ocorreram no Amapá (+1,04%), Acre (+0,88%) e Mato Grosso (+0,85%).

Somente Espírito Santo (-0,24%), afetado pela desmobilização de atividades ligadas ao café, e Tocantins (-0,06%) fecharam o mês no negativo.

Segundo o MTE, 77,3% dos empregos criados em junho foram vínculos típicos (contrato celetista convencional) e 22,7% não típicos, com destaque para trabalhadores temporários (+12.658) e pessoas físicas com registro no CAEPF (+9.435).

Jovens concentram 86% das novas vagas

Trabalhadores de até 24 anos responderam por 125.430 dos novos empregos, o equivalente a 86,4% de todas as vagas abertas em junho. O saldo foi praticamente equilibrado entre homens (72.569) e mulheres (72.592).

Por escolaridade, os trabalhadores com ensino médio completo lideraram, com 109.255 novos postos, seguidos pelos que têm ensino médio incompleto (+15.185).

Houve saldo positivo entre pardos (+106.176), brancos (+28.636), pretos (+20.199) e indígenas (+776). Em 10.563 vínculos, não houve informação de raça ou etnia. No total, brasileiros natos e naturalizados responderam por 137.586 novos empregos, e estrangeiros somaram saldo de 7.575 vínculos.

Salário de admissão em alta

O salário médio real de admissão foi de R$ 2.404,34 em junho, alta de 0,7% frente a maio (R$ 2.387,44). Em relação a junho de 2025, o ganho real foi de 1,2%.

Entre vínculos típicos, o salário médio de entrada foi de R$ 2.446,27. Nos vínculos não típicos, a média ficou em R$ 2.101,51, cerca de 12,6% abaixo do valor geral.

Serviços também lideram no semestre

De janeiro a junho, o setor de Serviços respondeu pela maior parte da expansão do emprego formal, com 571.926 vagas (+2,5%). Em seguida aparecem Construção (+168.962), Indústria (+143.442) e Agropecuária (+40.853).

O Comércio foi o único grande grupo com saldo negativo no semestre, com fechamento de 3.514 postos, influenciado principalmente pelo desempenho do varejo.

No acumulado do ano, São Paulo (+252.558), Minas Gerais (+108.977) e Paraná (+69.638) lideram em números absolutos. Proporcionalmente, os destaques são Amapá (+4,25%), Acre (+3,38%) e Mato Grosso (+3,36%).

Desaceleração e cenário macroeconômico

O primeiro semestre de 2026 registrou a menor geração de empregos formais dos últimos seis anos, cerca de 25% abaixo do mesmo período de 2025. Junho também foi o pior mês de junho desde 2020. Para o ministro, essa desaceleração reflete o cenário macroeconômico e as incertezas internacionais.

Marinho apontou o nível ainda elevado da taxa de juros como um dos fatores que freiam o ritmo da atividade econômica. Também citou os efeitos das medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos e dos recentes conflitos geopolíticos — como a guerra entre Rússia e Ucrânia e as tensões envolvendo Israel, Irã e EUA — sobre cadeias globais de suprimentos, preços do petróleo e fertilizantes, além do aumento da instabilidade econômica mundial.

Mesmo assim, o ministro avalia que o mercado de trabalho brasileiro mantém trajetória positiva. “Levando em consideração os juros que estamos praticando e as consequências das guerras e das medidas tarifárias, acredito sinceramente que a economia brasileira segue em viés positivo. Muitos esperavam retração, mas continuamos crescendo de forma resistente”, disse.

Perspectivas para o restante de 2026

Diante da expectativa de uma desaceleração mais intensa da economia e de um ciclo de queda de juros mais lento que o projetado no início do ano, Marinho prevê que o Novo Caged seguirá apontando saldos positivos, porém menores que os dos últimos anos.

Segundo ele, os dados indicam uma desaceleração gradual, mas não uma reversão da tendência de crescimento do emprego formal. “O Caged deve continuar crescendo de forma disciplinada, com velocidade menor do que a observada nos últimos anos, mas ainda em trajetória positiva. Não acredito em uma desaceleração capaz de inverter a curva para saldo negativo. Nossa expectativa é que o mercado de trabalho continue crescendo neste ano e também no próximo”, afirmou.

Na avaliação do ministro, o ritmo de expansão do emprego formal deve ficar próximo ao crescimento estimado de cerca de 2% para o PIB brasileiro, em linha com as projeções do governo para 2026.