Para garantir relevância no setor de transporte de cargas no Brasil, onde veículos pesados representam quase metade das comercializações, a BYD projeta a estreia do seu cavalo mecânico elétrico de 60 toneladas de Peso Bruto Total (PBT). A montadora pretende apresentar a novidade na Fenatran 2026, agendada para novembro na cidade de São Paulo, ou efetuar o lançamento formal por meio de evento próprio ainda neste ano. O movimento consolida o avanço da marca chinesa no país, sucedendo o início dos testes operacionais com dez unidades 6×2 realizados na Bahia e expandindo sua atração que até então cobria apenas os modelos leves e médios T35, T75, T18 e T23.
Nesta etapa inicial, a fabricante priorizará o atendimento a trajetos curtos e previsíveis de curta distância, com foco direcionado a operações portuárias como as rotas entre o interior paulista e o litoral. A abordagem consiste em desenhar soluções sob medida em parceria direta com as transportadoras, garantindo pontos de recarga exclusivos nas bases dos clientes e contornando as restrições da rede pública de eletropostos. A atuação em aplicações severas como o agronegócio ou a mineração ficará para fases posteriores de expansão do portfólio.
O grande diferencial tecnológico do modelo reside na utilização da bateria Blade, feita com células de fosfato de ferro-lítio (LFP). Graças à elevada densidade energética da arquitetura alongada, o caminhão consegue entregar maior autonomia sem acrescentar peso excessivo ao veículo — fator crucial para preservar a capacidade útil de carga em composições de 60 toneladas. Além do ganho de espaço e peso já aplicado na frota de ônibus urbanos da fabricante, o veículo conta com capacidade de recarga ultrarrápida de até 360 kW, otimizando o tempo de parada frente a concorrentes que operam na faixa de 180 kW.
O cavalo mecânico desembarcará no país via importação, sem previsão imediata de montagem nacional, cenário que depende diretamente da escala de vendas que for atingida. Apesar disso, a BYD aposta no avanço do conteúdo local por meio de sua fábrica de baterias em Manaus, que passa por reformulação para produzir o conjunto Blade, e da parceria com fornecedores globais com presença no Brasil, como Bosch e ZF. O aumento de componentes nacionais é tratado como essencial para viabilizar linhas de crédito com exigência de até 60% de nacionalização, a exemplo do Finame/BNDES e do Fundo Clima, cujas negociações para fomento já envolvem reuniões com instituições como a Caixa Econômica Federal.
Além do desafio de financiamento, a montadora busca vencer a desconfiança do mercado tradicional investindo em uma rede dedicada de pós-venda de cobertura nacional. A estratégia repete a fórmula adotada nos ônibus urbanos, com abertura de unidades de suporte iniciadas por São Paulo, utilizando a experiência prática e a recomendação entre transportadores como principal motor de reputação para a tecnologia elétrica.

















