CNC: confiança do varejo volta a recuar em julho

Confiança do Varejo Cai em Julho: Entenda os Dados da CNC e o Impacto no Setor

A inflação e as demais incertezas macroeconômicas frearam a confiança do varejo brasileiro em julho. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e divulgado nesta quarta-feira (29), recuou 0,8% no mês, já com os efeitos sazonais descontados, e ficou em 101,9 pontos. Na comparação com julho do ano passado, a queda foi de 2,9%, mantendo a trajetória de baixa iniciada em maio.

Mesmo com o início do ciclo de cortes da taxa Selic pelo Banco Central, o quadro de inflação persistente tem elevado o nível de incerteza e limitado o otimismo em relação ao momento atual.

Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o cenário exige atenção para evitar uma paralisia do dinamismo do setor.

“É fundamental que haja continuidade na redução da taxa Selic, de forma coordenada com outras medidas governamentais, para aliviar o custo do crédito e melhorar de maneira sustentável o ambiente de negócios, permitindo que o varejo volte a investir com segurança e previsibilidade”, afirma.

Queda mais forte na percepção da economia

O Icec de julho mostra que o declínio geral foi puxado principalmente pelo componente de condições atuais, que registrou o terceiro mês consecutivo de queda (-2,7%). A avaliação dos varejistas sobre a situação atual da economia recuou 4% no mês, sendo o principal fator de pessimismo no curto prazo.

Diante desse ambiente mais cauteloso, os empresários frearam planos de expansão. O índice de intenções de investimento devolveu o resultado positivo de junho e recuou 0,6% em julho, acumulando queda de 1,1% em 12 meses. O maior impacto foi observado na intenção de contratação de funcionários, que diminuiu 1,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Foi a terceira queda seguida nesse indicador, em linha com uma postura mais defensiva dos lojistas diante da instabilidade econômica.

Um respiro à frente

Apesar do cenário mais fraco no presente, o horizonte de curto prazo aponta uma leve recuperação da confiança, segundo as respostas captadas pelo Icec. O indicador de expectativas foi o único a avançar no mês (+0,3%), sustentado por resultados positivos em todos os seus componentes.

A maioria dos empresários (58,7%) continua acreditando em melhora da economia, o maior nível de otimismo desde abril, quando o percentual havia sido de 60,8%.