O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 29,7 milhões para apoiar o plano de investimentos do Grupo Bosch em pesquisa e desenvolvimento de soluções tecnológicas. Os recursos vão impulsionar projetos em duas frentes principais. A primeira é focada em descarbonização e prevê tecnologia para adaptação de motores de veículos pesados, que passam a operar com uma mistura de diesel e etanol, mantendo o desempenho original.
Segundo a Bosch, a expectativa é reduzir em média 35% o consumo de diesel nos veículos pesados, com potencial de chegar a 60% em determinadas condições, substituindo esse volume por etanol. Além de atender o mercado brasileiro, a tecnologia tem perfil exportador, especialmente para países com grande produção e disponibilidade de etanol, como Índia e Estados Unidos.
O financiamento será viabilizado pela linha BNDES Mais Inovação. Os projetos ficarão a cargo da Bosch Soluções Integradas Brasil, empresa do grupo fundada em 2015 e sediada em Campinas (SP), dedicada ao desenvolvimento de soluções tecnológicas e digitais e à aceleração de novos negócios em áreas estratégicas.
“Ao apoiar esse projeto, o BNDES reafirma seu compromisso com o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis, capazes de contribuir de forma relevante para a redução das emissões de gases de efeito estufa e do consumo de combustível fóssil. É mais uma medida que fortalece a agenda de descarbonização do governo do presidente Lula. Ao mesmo tempo, a nova tecnologia aumenta a demanda por biocombustível, estimulando a indústria nacional. E, como o etanol é mais barato que o diesel, também impacta positivamente a competitividade e a rentabilidade de empresas da agroindústria, mineração e transporte”, afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
“Tanto a iniciativa de digitalização quanto as inovações em biocombustíveis com o Dual Fuel Diesel Etanol são estratégicas para o Grupo Bosch, tendo esse investimento relevância para a aceleração dos programas envolvidos. Esse apoio é fundamental para alavancar iniciativas estratégicas para a empresa e para o país”, destaca Paulo Rocca, vice-presidente de Inovação e Novos Negócios da Bosch América Latina.
A segunda frente de investimento contempla soluções digitais personalizadas, desenvolvidas sob demanda. São projetos voltados tanto para necessidades internas do Grupo Bosch quanto para clientes externos. Entre eles está a criação da plataforma Cortex Hub, que reunirá ferramentas para desenvolver, customizar e gerenciar assistentes inteligentes. Outro projeto é a atualização do software DriveB, que integra gestores de frotas, motoristas e oficinas, aumentando a eficiência na gestão da manutenção de frotas de veículos.
De acordo com a Bosch, as duas frentes envolvem o desenvolvimento de tecnologias de ponta, como inteligência artificial generativa, internet das coisas (IoT), visão computacional, gêmeos digitais, algoritmos de otimização, sistemas avançados de sensoriamento e soluções em realidade aumentada e virtual. A implementação do plano deve gerar novos postos de trabalho, principalmente para pesquisadores envolvidos no desenvolvimento das soluções, além de funções de suporte administrativo e financeiro.
Referência internacional em tecnologia e serviços, o Grupo Bosch nasceu em 1886, com a abertura de sua primeira oficina em Stuttgart, na Alemanha. Hoje, está presente em cerca de 60 países – 10 deles na América Latina – e atua em mobilidade, tecnologia industrial, bens de consumo (como ferramentas elétricas) e energia e tecnologia predial. No Brasil desde 1954, o grupo mantém cinco plantas produtivas em Campinas (SP), Itatiba (SP), São José dos Campos (SP), Curitiba (PR) e Pomerode (SC), além de armazéns e escritórios regionais em Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
O investimento em inovação tecnológica representa 8,6% do faturamento global da Bosch, mobilizando mais de 82 mil profissionais em suas unidades de pesquisa e desenvolvimento ao redor do mundo. Com cerca de 6.300 patentes previstas até 2025, a empresa figura entre as indústrias mais inovadoras do planeta e é uma das líderes em registros de patentes na Europa. No Brasil, parte relevante dessas atividades é conduzida em parceria com instituições como o Instituto Eldorado, o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD) e o SENAI CIMATEC. Nos últimos anos, a Bosch tem se mantido entre as empresas privadas que mais depositam patentes no país, segundo o ranking do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
















