A confiança dos empresários do comércio paulistano recuou em junho ao menor nível dos últimos cinco anos, segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O Índice de Confiança do Empresário do Comércio no Município de São Paulo (ICEC), calculado mensalmente pela entidade, registrou 93,8 pontos, queda de 1,1% em relação a maio e de 7,1% na comparação com junho de 2023. É o quinto recuo consecutivo e o pior resultado desde junho de 2021.
Com isso, o ICEC permanece na zona de pessimismo. O indicador varia de 0 (pessimismo total) a 200 pontos (otimismo total), sendo 100 o ponto de corte entre os dois campos. Além do cenário econômico adverso — juros elevados, inflação acima do teto da meta, alto endividamento e inadimplência das famílias —, a FecomercioSP avalia que decisões recentes no campo político também ajudaram a deteriorar o humor do empresariado.
Entre essas decisões, a entidade cita o fim da isenção do imposto de importação para compras internacionais de pequeno valor (a chamada “taxa das blusinhas”) e a aprovação, na Câmara dos Deputados, da PEC que reduz a jornada de trabalho. O impacto da tributação sobre as compras de baixo valor aparece com força no segmento de semiduráveis (roupas, calçados e acessórios), um dos mais afetados pela medida. A confiança nesse setor caiu 3,8% frente a maio e 17,8% na comparação com junho do ano passado.
Mais de três anos de pessimismo
Das três variáveis que compõem o ICEC, duas recuaram na margem. O Índice das Condições Atuais do Empresário do Comércio (ICAEC) caiu 4%, de 71,9 pontos em maio para 69 pontos em junho. Em relação a junho de 2023, a queda foi de 6,2%. No segmento de semiduráveis, a situação é ainda mais delicada: o ICAEC recuou 8,6% frente ao mês anterior, para 52,5 pontos, e acumula tombo de 25,7% em doze meses.
O ICAEC é hoje o componente mais fraco do ICEC e está abaixo dos 100 pontos há 40 meses consecutivos. Em outras palavras, há mais de três anos os empresários avaliam de forma predominantemente negativa as condições atuais da economia. Segundo a FecomercioSP, esse quadro reflete a insatisfação com a rentabilidade dos negócios, comprimida por custos elevados, juros altos e um ambiente econômico pouco favorável. Mesmo com algum crescimento nas vendas recentes, a percepção sobre o momento presente segue deteriorada.
O Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC) registrou leve alta de 0,5%, atingindo 113,3 pontos. As expectativas em relação ao futuro têm funcionado como principal suporte à confiança no período recente. Ainda assim, o subíndice está 12,5% abaixo do nível observado em junho do ano passado. No segmento de semiduráveis, a situação é mais crítica: quedas de 5,4% em relação a maio e de 21,8% na comparação anual.
Já o Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC) recuou 0,8% na margem e voltou para a zona de pessimismo, ao marcar 99,2 pontos. Desde o ano passado, o indicador oscila em torno da linha dos 100 pontos, sem ganhar tração.
Expansão em marcha lenta
O Índice de Expansão do Comércio (IEC), que mede a disposição das empresas em crescer, também mostra perda de fôlego. O indicador caiu 0,8% em junho, para 102,1 pontos, acumulando redução de 5,5 pontos desde fevereiro.
A variável que acompanha a Expectativa de Contratação de Funcionários (ECF) recuou pelo terceiro mês seguido, chegando a 112,8 pontos — o menor patamar desde setembro de 2023 (107,6 pontos). A queda foi de 1,3% tanto em relação a maio quanto frente a junho do ano passado, sugerindo maior cautela na abertura de vagas.
O Nível de Investimento das Empresas (NIE) permaneceu praticamente estável em 91,5 pontos, abaixo da linha de 100 pontos há 19 meses consecutivos. Na comparação com maio, houve leve queda de 0,1%; em relação a junho de 2023, o indicador avançou 1,7%. Na avaliação da FecomercioSP, o resultado confirma que os planos de expansão das empresas do setor continuam perdendo força.
A sequência de quatro quedas do IEC indica que o empresariado adota uma postura cada vez mais defensiva diante da desaceleração do consumo. As incertezas em torno do quadro fiscal brasileiro, da trajetória da inflação e das tensões geopolíticas internacionais aumentam a percepção de risco, levando empresas a adiar decisões de investimento e contratação.
Esse movimento é coerente com o enfraquecimento observado nos demais indicadores de confiança e sinaliza que a piora das expectativas já começa a se refletir de forma mais clara nas estratégias de crescimento do comércio.

















