Levantamento com entidades que representam cerca de 230.000empresas atuantes em todos os elos da cadeia automotiva, produtiva e pós-vendasmostra que transformação tecnológica, escassez de mão de obra qualificada e gargalos do ambiente de negócios ameaçam competitividade do setor no país
O Brasil corre o risco de perder espaço na nova indústria automotiva global se não conseguir avançar mais rapidamente em tecnologia, formação profissional e ambiente de negócios. O alerta está no “Estudo IQA: Cenário da Qualidade Automotiva no Brasil 2026-2028”, do IQA – Instituto da Qualidade Automotiva, lançado na manhã desta segunda-feira, dia 18 de maio, e reúne contribuições de 36 entidades e lideranças do setor, representando cerca de 230.000 empresas atuantes em todos os elos da cadeia automotiva, produtiva e pós-vendas.
O levantamento mostra que a indústria automotiva brasileira enfrenta uma transformação profunda, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial, da eletrificação, da conectividade e da digitalização. Nesse contexto, o automóvel se consolida como uma plataforma tecnológica, baseada em software, eletrônica e dados, exigindo novos padrões de desenvolvimento, validação e qualidade em toda a cadeia.
O desafio é ainda maior diante da competição global. A entrada de novas marcas no mercado brasileiro, especialmente de origem chinesa, tem ampliado a pressão por competitividade, com a oferta de novos produtos e tecnologias. Para os entrevistados, essa pressão externa se soma a entraves internos, como carga tributária elevada, custos logísticos, insegurança regulatória e restrições de crédito, que dificultam investimentos e atrasam a modernização do setor.
O cenário acende um alerta para um setor estratégico da economia brasileira, responsável por cerca de R$ 107 bilhões em arrecadação anual de impostos, e que sustenta aproximadamente 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos. “É urgente a necessidade de preparar a indústria automotiva brasileira para uma nova etapa, em que a competitividade dependerá cada vez mais de capacidade tecnológica, formação profissional e confiabilidade sistêmica”, afirma o presidente do IQA, indicado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cláudio Moysés.
Um dos principais gargalos identificados pelo estudo está na formação profissional. A indústria automotiva passa a demandar cada vez mais competências em áreas como software, eletrônica embarcada, inteligência artificial e novas tecnologias de propulsão, enquanto o país ainda enfrenta escassez de profissionais qualificados, currículos defasados e baixa atratividade do setor entre os jovens.
“O estudo do IQA indica que o desafio está em aproximar a percepção sobre o setor da realidade atual da indústria, cada vez mais tecnológica, o que impacta diretamente a capacidade de atrair e formar novos profissionais”, destaca o diretor superintendente do Instituto, Alexandre Xavier.
A razão apontada é que muitos ainda associam o setor automotivo a uma realidade tradicional, distante das novas fronteiras tecnológicas que hoje moldam a mobilidade, o que amplia o desafio de atrair e formar a próxima geração de profissionais.
A transformação do setor não se limita à tecnologia e ao capital humano. Na agenda ambiental, o estudo indica que a descarbonização continuará sendo um vetor centralda transformação, mas destaca que o Brasil possui vantagens competitivas para adotar uma abordagem multitecnológica, combinando biocombustíveis, eletrificação gradual e soluções híbridas — desde que haja avanço regulatório e desenvolvimento técnico consistente.
O “Estudo IQA: Cenário da Qualidade Automotiva no Brasil 2026-2028” foi desenvolvido para apoiar empresas, entidades, formuladores de políticas públicas e agentes da cadeia produtiva na definição de estratégias mais resilientes diante das transformações que devem moldar o futuro da indústria automotiva brasileira, com conteúdo que consolida contribuições de especialistas do setor, incluindo representantes do IQA e lideranças envolvidas no desenvolvimento do estudo, e que será disponibilizado ao público por meio dos canais oficiais do instituto após o lançamento.
















