Em março, o faturamento líquido da indústria de autopeças registrou o melhor resultado desde setembro de 2025, impulsionado em parte pelo desempenho excepcional das montadoras no período. Em relação a fevereiro de 2026, a alta foi de 15,2% tanto em termos nominais quanto reais. Na comparação com março de 2025, o avanço foi de 5,5% (4,1% em termos reais).
As perspectivas já eram positivas, considerando que fevereiro foi afetado pela sazonalidade do Carnaval, o que tradicionalmente reduz o ritmo da atividade industrial. Além disso, em 2025 o feriado ocorreu em março, o que torna a base de comparação mais favorável para o crescimento na leitura interanual. Mesmo assim, chama atenção a reversão de tendência em relação ao segundo semestre do ano passado: frente ao quarto trimestre de 2025, o faturamento das autopeças cresceu 8,1% (8,4% em termos reais) nos três primeiros meses de 2026.
Esse desempenho contrasta com a expectativa predominante de que o crédito caro — com a Selic em dois dígitos e cortes modestos — acabaria esfriando gradualmente a economia, atingindo também o mercado automotivo. Porém, dados da Anfavea mostram que, entre fevereiro e março, a produção de autoveículos subiu 27,6%, os emplacamentos no mercado interno avançaram 46,8% e as exportações cresceram 21,1%. Entre os fatores que explicam essa reação estão a implementação do Programa Move Brasil e do Programa Carro Sustentável, que ajudaram a destravar demanda e melhorar o resultado do setor.
As vendas de autopeças para montadoras aumentaram em todas as bases de comparação: 19,0% na variação mensal e 3,4% no acumulado do ano (2,0% em termos reais). Já o mercado de reposição registrou, em março, o melhor desempenho desde outubro de 2025, com alta de 10,1% frente ao último trimestre de 2025 (10,3% em termos reais). Apesar disso, o canal ainda está em terreno negativo: até março, o faturamento acumula queda de 10,8% (12,1% real) em relação ao mesmo período do ano anterior.
A retração na reposição foi puxada principalmente pela linha leve, cujo faturamento recuou 12,8% em termos nominais e 14,0% em termos reais. A linha pesada sentiu menos o impacto, com queda de 1,7% nominal e 3,1% real. No caso das exportações em dólares, houve avanço de 11,8% em março na comparação com fevereiro, mas o acumulado do ano ainda mostra retração de 6,0% (-7,3% em termos reais). O movimento reflete, em grande parte, o pior desempenho das vendas externas para a Argentina: as exportações de autopeças para o país caíram 23,6% no período. Diante desse cenário, é pouco provável que o setor consiga repetir em 2026 os resultados alcançados em 2025.
A ociosidade na indústria de autopeças vem diminuindo desde janeiro de 2026 e atingiu 26,3% em março, em linha com a virada positiva observada no início do ano. Em relação ao emprego, março registrou aumento de 0,9% no número de postos de trabalho frente a fevereiro, após alta de 0,5% no mês anterior. Ainda assim, refletindo os efeitos do fraco desempenho no segundo semestre de 2025, o primeiro trimestre de 2026 encerrou com redução de 2,2% no estoque de empregos em comparação com igual período do ano passado.

















