Em 2024, o comércio brasileiro empregou 10,6 milhões de pessoas em 1,6 milhão de empresas. No ano, trabalhadores do setor receberam R$ 369,2 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações. A receita operacional líquida das empresas comerciais somou R$ 7,7 trilhões. Os dados são da Pesquisa Anual de Comércio (PAC 2024), divulgada nesta quarta-feira (29) pelo IBGE, com valores a preços correntes do período.
A PAC traça um retrato detalhado da estrutura empresarial do comércio no país. O levantamento analisa composição do faturamento, estrutura da margem de comercialização, grau de concentração de mercado, perfil do emprego e distribuição das empresas nas Grandes Regiões e unidades da federação.
O varejo segue como principal empregador: 7,6 milhões de pessoas ocupadas. O atacado respondeu por 2,0 milhões de trabalhadores, enquanto o comércio de veículos, peças e motocicletas concentrou 950,7 mil ocupados.
Entre as atividades com maior número de trabalhadores, todas pertencem ao varejo: hipermercados e supermercados (1,6 milhão de pessoas), comércio varejista de produtos farmacêuticos, perfumaria, cosméticos e artigos médicos, ortopédicos e de ótica (887,3 mil) e comércio de material de construção (858,5 mil).
O porte médio das empresas comerciais, medido pelo número de ocupados por empresa, foi de sete pessoas em 2024. No comércio de veículos, peças e motocicletas, a média foi de seis trabalhadores por empresa. Já atacado e varejo registraram, em ambos os casos, média de sete pessoas ocupadas por empresa.
Cobertura ampliada na Região Norte
Até o ano de referência de 2023, a PAC incluía empresas de todo o território nacional, mas, na Região Norte, a abrangência se limitava às capitais e aos municípios da Região Metropolitana de Belém. A partir de 2024, a pesquisa passou a cobrir todas as empresas sediadas em Rondônia, Amazonas, Pará e Amapá.
A previsão é que, para o ano de referência de 2025, a ampliação atinja também Acre e Roraima. Apenas em Tocantins a cobertura continuará restrita às empresas sediadas na capital.
Salário médio do comércio foi de 1,9 salário mínimo
Em 2024, as empresas comerciais pagaram, em média, 1,9 salário mínimo (s.m.). O atacado liderou com a maior remuneração média, de 2,8 salários mínimos, seguido pelo comércio de veículos, peças e motocicletas (2,1 s.m.) e pelo varejo (1,6 s.m.).
Dentro do atacado estão as atividades com maiores salários médios. O comércio por atacado de equipamentos e produtos de tecnologia da informação e comunicação pagou, em média, 5,8 salários mínimos. Na sequência aparecem o atacado de combustíveis e lubrificantes (4,7 s.m.) e o atacado de produtos farmacêuticos, perfumaria, cosméticos, médicos, ortopédicos, odontológicos e veterinários (4,6 s.m.).
Regionalmente, o salário médio nacional foi de 1,9 salário mínimo. Sudeste (2,1 s.m.) e Sul (2,0 s.m.) pagaram acima da média. Centro-Oeste (1,8 s.m.), Norte (1,6 s.m.) e Nordeste (1,5 s.m.) ficaram abaixo do patamar nacional.
Receita líquida do comércio atinge R$ 7,7 trilhões
As empresas comerciais registraram receita bruta de R$ 8,4 trilhões em 2024. Desse total, R$ 807,1 bilhões vieram do comércio de veículos, peças e motocicletas, R$ 4,1 trilhões do atacado e R$ 3,5 trilhões do varejo.
Após descontos de impostos sobre vendas, vendas canceladas, abatimentos, descontos incondicionais e outras contribuições, a receita operacional líquida do setor somou R$ 7,7 trilhões. O atacado respondeu por 48,7% desse montante, o varejo por 41,4% e o comércio de veículos, peças e motocicletas por 9,9%.
Entre os 37 agrupamentos do setor, três concentram a maior fatia da receita operacional líquida: hipermercados e supermercados (12,0%), atacado de combustíveis e lubrificantes (11,5%) e atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (8,2%).
Quase metade da receita de lojas de departamento vem da internet
No varejo, a pesquisa destaca o peso das vendas online nas empresas com 20 ou mais pessoas ocupadas. Nesse estrato, 9,9% da receita do setor foram gerados por canais de internet em 2024.
O destaque é o comércio em lojas de departamento: 49,6% da receita dessas empresas vieram de vendas pela internet, evidenciando um avanço consistente da digitalização do varejo.
Margem de comercialização alcança R$ 1,7 trilhão
A margem de comercialização – diferença entre a receita líquida de revenda e o custo das mercadorias revendidas – somou R$ 1,7 trilhão em 2024. O varejo respondeu por 52,8% desse valor, o atacado por 38,9% e o segmento de veículos, peças e motocicletas por 8,3%.
Na análise da taxa de margem de comercialização, o varejo novamente lidera, com 38,6%. Em seguida aparecem o comércio de veículos, peças e motocicletas (23,2%) e o atacado (22,0%).
Entre os 37 agrupamentos pesquisados, as maiores taxas de margem foram observadas no varejo de artigos do vestuário e complementos (86,1%), no varejo de tecidos e artigos de armarinho (77,9%) e no varejo de artigos culturais, recreativos e esportivos (72,1%).
Na outra ponta, as menores taxas ficaram com o atacado de combustíveis e lubrificantes (6,3%), atacado de matérias-primas agrícolas e animais vivos (12,9%) e comércio de veículos automotores (14,2%).
Concentração do comércio fica em 8,7%
A PAC também mede o nível de concentração do mercado por meio da Razão de Concentração de Ordem 8 (R8), que indica a participação das oito maiores empresas na receita líquida total do setor.
Em 2024, o R8 do comércio foi de 8,7%. Quanto maior esse percentual, maior a concentração em determinado setor, segmento ou agrupamento de atividades. O resultado aponta para um mercado relativamente pulverizado, embora com segmentos específicos mais concentrados.
Sudeste mantém liderança em receita e emprego
Os dados da PAC 2024 confirmam a liderança da Região Sudeste em praticamente todos os indicadores estruturais do comércio: receita bruta de revenda, número de unidades locais, pessoal ocupado e remunerações. Na sequência aparecem as Regiões Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte.
Em termos de receita bruta de revenda, o Sudeste respondeu por 48,0% do total nacional em 2024. O Sul ficou com 20,4%, o Nordeste com 15,1%, o Centro-Oeste com 11,1% e o Norte com 5,4%.
No emprego, o Sudeste concentrou 5,3 milhões de trabalhadores do comércio. O Sul reuniu 2,1 milhões, o Nordeste 1,8 milhão, o Centro-Oeste 916,3 mil e o Norte 537,9 mil.
Entre as unidades da federação, São Paulo segue como maior mercado, com 28,7% da receita bruta comercial do país. Em seguida aparecem Minas Gerais (9,9%), Paraná (7,8%), Santa Catarina (6,3%), Rio Grande do Sul (6,3%) e Rio de Janeiro (5,7%).
Dentro de cada Grande Região, São Paulo (Sudeste), Paraná (Sul), Mato Grosso (Centro-Oeste), Bahia (Nordeste) e Pará (Norte) lideram a participação na receita comercial regional, reafirmando a concentração da atividade em estados com forte peso econômico em suas respectivas áreas.

















