Investimentos em rodovias de SP ampliam expectativa do transporte de cargas por redução de gargalos logísticos

Investimentos em rodovias de SP ampliam expectativa do transporte de cargas por redução de gargalos logísticos


O enquadramento da primeira etapa da Rota Mogiana no Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (REIDI), com cerca de R$ 2,1 bilhões em investimentos previstos, amplia a expectativa de melhorias em importantes corredores logísticos de São Paulo. O projeto está inserido em um sistema de aproximadamente 520 quilômetros de rodovias e prevê duplicações e faixas adicionais, implantação de vias marginais, novos dispositivos de acesso, passarelas, pontes, viadutos e sistemas de pesagem em alta velocidade.

A concessão abrange trechos que conectam Campinas a diferentes regiões do interior paulista e à divisa com Minas Gerais, área estratégica para a circulação de cargas e o acesso a importantes corredores rodoviários do Estado.

Para o Transporte Rodoviário de Cargas, porém, o resultado de um investimento dessa dimensão não se mede apenas pela quantidade de quilômetros contemplados. O efeito sobre a operação depende principalmente de onde as intervenções serão realizadas e da capacidade de eliminar retenções, melhorar acessos e reduzir pontos que hoje comprometem tempo de viagem, segurança e previsibilidade. A própria natureza das operações faz com que duplicações, marginais, acessos ou melhorias no pavimento tenham impactos diferentes conforme a rota e a carga transportada.

Essa leitura ganha relevância em São Paulo pela concentração de importantes rotas de importação e exportação. Corredores rodoviários conectam polos industriais e centros de distribuição a estruturas como o Aeroporto Internacional de Guarulhos e o Porto de Santos, tornando gargalos e retenções capazes de afetar diferentes etapas da cadeia logística e o cumprimento de janelas operacionais.

Segundo Luigi Rosolen, diretor da West Cargo, transportadora especializada em operações de comércio exterior, a redução desses gargalos interfere diretamente no ciclo logístico. “Quando reduzimos retenções e melhoramos os acessos, a carga permanece menos tempo em trânsito e a operação ganha previsibilidade. Isso traz maior estabilidade ao ciclo dos veículos rodoviários e também às conexões com os modais aéreo e marítimo, o que se traduz em mais eficiência para toda a cadeia de comércio exterior”, explica.

Entre os pontos que exigem atenção estão justamente os trechos urbanos com alto volume de caminhões e as ligações entre grandes corredores e regiões de origem ou destino das cargas. Na avaliação da empresa, estruturas que permitem evitar áreas saturadas, como o Rodoanel e acessos alternativos seguros e pavimentados, podem reduzir a exposição das operações às retenções e tornar os deslocamentos mais previsíveis.

O efeito da infraestrutura inadequada também se estende para além do atraso. Mudanças inesperadas de rota podem provocar descumprimento de prazos, elevar custos operacionais e ampliar a exposição de motoristas, cargas e equipamentos a riscos. Para lidar com essas variáveis, a West Cargo utiliza o gerenciamento de risco para acompanhar as condições das estradas e, sempre que permitido pelo plano da operação, adotar horários ou trajetos alternativos e estabelecer margens de segurança para possíveis retenções.

Nesse sentido, o debate sobre os R$ 2,1 bilhões também passa pela priorização das intervenções. Para Rosolen, o ganho logístico será maior se os recursos forem direcionados aos pontos que hoje concentram restrições de acesso e sobrecarregam corredores já pressionados pelo tráfego.

“Investimentos rodoviários não devem ser avaliados apenas pela extensão das obras ou pelo valor aplicado. O principal indicador precisa ser o impacto real na redução do tempo de deslocamento e dos riscos operacionais. Atacar os gargalos de acesso às principais rotas permite melhorar o escoamento das cargas, aliviar corredores sobrecarregados e reduzir custos que acabam repercutindo em toda a cadeia”, afirma.