Índice, que hoje é de 30%, pode chegar a 32%; especialista alerta para a redução do rendimento e o risco de danos em motores antigos ou movidos exclusivamente a gasolina
O pedido no posto é para completar o tanque com gasolina, mas o combustível que chega ao motor está cada vez mais misturado ao etanol. Atualmente, a gasolina comercializada no Brasil contém 30% de etanol anidro — percentual que pode subir para 32% nos próximos meses, dependendo da autorização do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão responsável por definir essa diretriz.
Embora a medida, segundo o Ministério de Minas e Energia, tenha como objetivo reduzir a emissão de poluentes, diminuir a dependência de importações e baratear o litro em até R$ 0,20, a mudança pode impactar diretamente o desempenho dos veículos.
Isso ocorre porque, conforme explicam especialistas, um dos principais efeitos da ampliação da mistura é a perda de rendimento. Como o etanol possui menor poder calorífico do que a gasolina, o motor precisa consumir mais combustível para gerar a mesma energia. “O carro vai acabar rodando menos quilômetros por litro. Com mais álcool na mistura, o consumo sobe progressivamente”, explica Cláudio Santos, CEO da Blumo Mecânica Automotiva.
Além do aumento no consumo, a nova composição da gasolina também pode acelerar o desgaste de alguns componentes. De acordo com Cláudio, o etanol absorve mais umidade, o que favorece a corrosão, a formação de resíduos e até o entupimento dos bicos injetores.
Para os motoristas que possuem veículos flex, a adaptação tende a ser automática. “Os sistemas eletrônicos conseguem identificar a quantidade de etanol presente no combustível e ajustam o funcionamento do motor. Nesses casos, o condutor tende a perceber pouca diferença”, aponta o CEO.
Entretanto, o mesmo não ocorre com os carros movidos exclusivamente a gasolina, geralmente modelos importados ou antigos. Tais motores não foram projetados para trabalhar com índices tão altos de etanol, o que pode comprometer mangueiras, borrachas e vedações.
Motociclistas também precisam ficar atentos. Por terem motores menores e mais sensíveis, alterações na composição do combustível podem provocar falhas, perda de desempenho e aumento da necessidade de manutenção preventiva.
“De qualquer forma, é importante que o motorista preste atenção ao comportamento do veículo. Ao perceber qualquer alteração no funcionamento, deve procurar um especialista para evitar problemas maiores”, finaliza Cláudio Santos.
Aumento para 32%
O chamado E32 (gasolina com 32% de etanol anidro) ainda não está em vigor, mas a proposta avança no Governo Federal. A expectativa é que o tema seja analisado pelo CNPE ainda neste semestre. Conforme o Ministério de Minas e Energia, os testes técnicos realizados para a implementação do E30, aprovada em agosto do ano passado, já indicavam a viabilidade técnica para o aumento para os 32%.


















