Em um ano, desempenho do comércio de autopeças também foi negativo, com queda de 4,8%
As vendas do comércio varejista paulista recuaram 8,1% em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado. Os dados são da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), produzida mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) em parceria com a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP).
Apesar da retração, o resultado ainda é o terceiro melhor da série histórica para o mês de julho. O faturamento real atingiu R$ 122,3 bilhões, o que representa R$ 10,7 bilhões a menos do que em julho de 2025 [tabela 1].
No segmento de autopeças, o movimento também é de queda. Em julho, o faturamento do setor recuou 7,4% no acumulado do ano e, em relação ao mesmo mês de 2025, a variação foi negativa em 5,4%. No intervalo de 12 meses, o tombo é de 4,8%.
[TABELA 1] Faturamento Comércio Varejista — Estado de São Paulo Fonte: Sefaz-SP/FecomercioSP
Com esse desempenho, a variação acumulada das vendas no varejo paulista passou a mostrar queda de 6,1% no ano, o que significa R$ 55,4 bilhões a menos em relação ao período de janeiro a julho do ano passado. Na comparação interanual, a retração vem se aprofundando: o faturamento do comércio caiu 6,9% em maio, 7% em junho e 8,1% em julho, evidenciando piora na margem. No acumulado de 12 meses, a queda passou de 1,6% para 2,5% e, em julho, alcançou 3,5%.
Segundo a FecomercioSP, o resultado reflete uma retração disseminada entre as atividades do varejo, com maior intensidade nos segmentos de bens duráveis e semiduráveis — grupos que incluem parte relevante do consumo automotivo, especialmente em acessórios e itens de maior valor agregado. A análise dos últimos três meses mostra aprofundamento das perdas no varejo total, o que torna decisivo o comportamento do segundo semestre para indicar se haverá interrupção dessa trajetória ou se a queda continuará contaminando o desempenho de 2026.
Entre as nove atividades acompanhadas pela pesquisa, apenas as concessionárias de veículos registraram crescimento em julho: alta de 5,4%, com faturamento de R$ 16,8 bilhões e expansão de 5,3% no acumulado de 12 meses. Na direção oposta, o grupo “outras atividades” teve pressão negativa de 8,7 pontos porcentuais. Em sete meses, além das concessionárias, nenhuma outra atividade mostrou avanço [tabela 2].
[TABELA 2] Faturamento Comércio Varejista — Estado de São Paulo Fonte: Sefaz-SP/FecomercioSP
O pior desempenho ficou com as lojas de eletrodomésticos e eletrônicos, que registraram queda real de 35,6% no faturamento interanual. O segmento acumula retrações de 27,1% no ano e de 18,5% em 12 meses, indicando uma crise prolongada. A queda vem se aprofundando mês a mês: a variação interanual passou de -30,9% em maio para -32,1% em junho e -35,6% em julho.
No caso específico de autopeças e acessórios, o resultado negativo reduziu sua contribuição para o faturamento do varejo paulista, que foi de apenas 0,6 ponto percentual no mês.
Varejo da capital recua quase 12%; autopeças caem 4%
Na cidade de São Paulo, o cenário é ainda mais duro. As vendas do varejo em julho tiveram queda de 11,8% no faturamento real em relação ao mesmo mês de 2025, com receita de R$ 35,9 bilhões — R$ 4,8 bilhões a menos do que em julho do ano passado. No acumulado de janeiro a julho, a retração foi de 9,2%, o que significa R$ 26,1 bilhões abaixo do registrado em igual período de 2025 [tabela 3].
[TABELA 3] Faturamento Comércio Varejista — Cidade de São Paulo Fonte: Sefaz-SP/FecomercioSP
Nenhuma das nove atividades pesquisadas na capital apresentou crescimento real em julho. A performance é pior do que a média estadual: enquanto o varejo paulista recuou 8,1% no mês, a cidade caiu 11,8%, uma diferença de 3,7 pontos porcentuais. No acumulado do ano, o contraste permanece — retração de 6,1% no Estado contra 9,2% na capital. Em 12 meses, as quedas foram de 3,5% e 5,7%, respectivamente. Em todos os recortes, portanto, o varejo paulistano mostra perda mais intensa que a média estadual.
No recorte específico do setor automotivo, o comércio de autopeças na capital acumulou perda de 7,5% no ano, reforçando o quadro de pressão sobre toda a cadeia, do pequeno reparador às grandes redes de distribuição.
















