Novos mercados e segurança energética pautam primeiro dia da FenaBio

Novos mercados e segurança energética pautam primeiro dia da FenaBio


Conferência da Fenasucro & Agrocana reuniu especialistas para discutir SAF, produção de etanol, geopolítica e oportunidades para a bioenergia brasileira

A 2ª edição da FenaBio começou nesta quarta-feira (12), durante a Fenasucro & Agrocana, em Sertãozinho (SP). No primeiro dia, a conferência reuniu representantes da indústria, do setor produtivo, do mercado e da academia para discutir as transformações da matriz energética e as oportunidades para a bioenergia.

Segundo Paulo Montabone, diretor da Fenasucro & Agrocana, a FenaBio foi criada para ampliar esse debate e aproximar diferentes visões sobre o futuro da bioenergia. “Temos uma cadeia que já é muito desenvolvida, mas que continua abrindo novas frentes de mercado, incorporando tecnologias e buscando mais eficiência”, afirma.

Novos mercados

Entre os mercados em expansão está o Combustível Sustentável de Aviação (SAF). Especialistas apontaram a disponibilidade de biomassa, a experiência brasileira com biocombustíveis e a diversidade de rotas tecnológicas como vantagens para o desenvolvimento dessa cadeia no país.

Segundo Gilberto Peralta, presidente da Airbus Brasil e presidente do Conselho de Administração da Helibras, o país tem potencial para ser a Arábia Saudita do SAF, podendo ser o maior produtor mundial. “O Brasil pode produzir quase dez vezes mais do que aquilo que a gente consome. É um potencial muito grande”, afirmou durante o painel “SAF: Viabilizando o potencial de liderança do Brasil”.

Segurança energética e presença internacional

A ampliação da oferta de etanol também passou pela integração entre cana-de-açúcar e milho. Os participantes destacaram a complementaridade entre as duas matérias-primas, que permite estender a operação das usinas ao longo do ano e gerar ganhos de produtividade.

O tema também se conectou às mudanças no cenário internacional. No painel sobre geopolítica, especialistas avaliaram que a busca dos países por maior segurança energética abre oportunidades para o Brasil ampliar sua presença como fornecedor de biocombustíveis.

“O xadrez geopolítico abriu uma oportunidade para a bioenergia brasileira, que ganhou espaço por se apresentar como uma alternativa viável para a transição energética. Nosso país tem maturidade tecnológica e potencial para se consolidar como fornecedor confiável de biocombustíveis”, afirmou Lucas Rodrigues, especialista em Economia e Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), no painel “Geopolítica, conflitos e consequências para as bioenergias”.

Mobilidade sustentável

Os biocombustíveis também estiveram no centro do debate sobre o futuro da mobilidade. No painel “Híbridos-flex, EVs e o futuro da mobilidade sustentável”, representantes de montadoras apresentaram inovações e estratégias voltadas à descarbonização do transporte.

João Irineu Medeiros, vice-presidente da Stellantis, reforçou que o Brasil é uma referência na produção de alternativas sustentáveis e também nas políticas públicas de incentivo aos biocombustíveis. “Nós estamos dando um exemplo, com políticas públicas, de redução de 35% da emissão de carbono em dez anos. Sem contar a frota de veículos de etanol já rodando”, destacou.

A programação da FenaBio continua nesta quinta-feira, dia 13, com novos debates sobre a bioeconomia brasileira. A Fenasucro & Agrocana segue até sexta-feira, dia 14.