Em mercados internacionais, rede da Solera movimenta mais de 250 milhões de componentes reciclados por ano
O uso de green parts ou peças genuínas recicladas vem ganhando espaço, especialmente em mercados internacionais, como alternativa para reduzir custos, diminuir o desperdício e ampliar a disponibilidade de componentes no ecossistema automotivo e do seguro. Apesar desse potencial, a adoção ainda enfrenta desafios relacionados à oferta, rastreabilidade, qualidade e integração de informações entre seguradoras, oficinas, fabricantes e recicladores. No ecossistema de seguros e reparação do Brasil, a Solera ainda não implementou essa solução no nível local, mas experiências internacionais e o lançamento do Qapter no país são referências para a discussão no mercado brasileiro.
As green parts são componentes genuínos reciclados de veículos fora de circulação, avaliados e reinseridos na cadeia de reparação. Sua reutilização evita parte do consumo de recursos, energia e emissões associados à fabricação e ao transporte de uma peça nova. Para seguradoras, oficinas e consumidores, também pode representar economia e mais agilidade, especialmente quando determinados componentes novos têm custo elevado ou baixa disponibilidade.
De acordo com dados globais da Solera, sua rede de soluções para reciclagem automotiva movimenta mais de 250 milhões de peças recicladas por ano. O indicador demonstra que a circularidade pode avançar em escala quando disponibilidade, procedência e compatibilidade dos componentes são integradas ao processo de reparação.
“As green parts não devem ser vistas apenas como uma alternativa de menor custo. Quando têm procedência, qualidade e compatibilidade comprovadas, elas podem acelerar o reparo, ampliar a disponibilidade de componentes e reduzir o impacto ambiental da substituição de peças”, afirma Marcelo Picolo, diretor executivo da Solera na América do Sul.
Uma das principais barreiras para ampliar o uso dessas peças é a fragmentação das informações. Seguradoras e oficinas nem sempre conseguem consultar, de forma integrada, dados sobre disponibilidade, localização, condição, procedência e compatibilidade dos componentes. Sem essa visão, aumenta o risco de erros, devoluções e atrasos ao longo do reparo.
Para a Solera, ampliar a rastreabilidade e a conexão entre os diferentes participantes do ecossistema é fundamental para aumentar a confiança nesse mercado. Informações consistentes sobre origem, estado de conservação e aplicação ajudam a tornar a escolha de peças recicladas mais segura, eficiente e escalável.
“A circularidade depende de confiança e integração. Não basta saber que uma peça está disponível; é preciso conhecer sua procedência, condição e compatibilidade com o veículo. É essa inteligência baseada em dados que permite transformar estoques fragmentados em uma alternativa segura e escalável para o setor”, explica Picolo.
A IA do Qapter permite padronizar a decisão de reparar e substituir e estabelecer políticas mais sustentáveis, como o incremento do índice de reparabilidade por meio do Qapter Intelligent Estimating e do Qapter Analytics. A Solera também desenvolveu o Sustainable Estimatics, ferramenta que permite mensurar as emissões de CO₂ associadas a diferentes etapas e decisões da jornada do sinistro.
Em um cenário internacional apresentado pela companhia, sem recorte específico para o Brasil, o uso de green parts, em comparação com peças originais novas, proporcionou redução de 60,3% nas emissões de CO₂, de 11,2% no tempo de ciclo do reparo e de 10,1% no custo do sinistro. Os resultados variam conforme o veículo, o componente, a metodologia e as condições de cada mercado, mas ilustram como decisões orientadas por dados podem combinar ganhos ambientais e econômicos.
A expansão das green parts depende da colaboração entre seguradoras, oficinas, recicladores, fabricantes, frotas e empresas de tecnologia. Essa é também uma das discussões do Global Circularity Consortium (GCC), iniciativa da Solera Foundation que reúne seguradoras, montadoras, reparadores, recicladores, reguladores, academia e parceiros para ampliar a colaboração e desenvolver caminhos comuns para a circularidade no setor automotivo.
“Nenhuma empresa consegue construir uma cadeia automotiva circular sozinha. Quando o ecossistema compartilha informações e trabalha com critérios comuns, sustentabilidade, eficiência operacional e viabilidade econômica passam a avançar juntas. Lançaremos o Global Circularity Consortium (GCC) no Brasil, em São Paulo, no dia 4 de novembro, durante o CQCS”, conclui Picolo.

















