O aumento de preços foi disseminado em todas as regiões do país; os veículos com as maiores altas foram Renault Kwid, VW Fox e GM Onix
O mercado brasileiro de automóveis usados encerrou o primeiro semestre de 2026 em trajetória mais aquecida em comparação a 2025. O IBV Auto, índice do banco BV que acompanha mensalmente a evolução dos preços dos veículos leves usados no país, acumulou alta de 3,49% entre janeiro e junho deste ano, superando o avanço de 1,98% registrado no mesmo período de 2025.
Somente em junho, o indicador subiu 0,57%, acelerando em relação ao resultado de maio (+0,43%), embora tenha ficado abaixo da média observada no primeiro trimestre do ano (+0,72%). No acumulado em 12 meses encerrados em junho, a alta é de 6,87%.
Segundo o economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, o comportamento dos preços indica que o setor segue resiliente, embora com sinais de acomodação em relação ao cenário observado no início do ano. “O mercado de usados continua em trajetória de valorização, mas em ritmo menos intenso. A leve desaceleração da taxa acumulada em 12 meses sugere que os preços permanecem pressionados, embora já com sinais de acomodação na margem”, diz.
A alta registrada em junho foi disseminada regionalmente, com aumento nos preços dos veículos usados em todas as regiões brasileiras. O Sudeste apresentou a maior variação mensal, de 0,83%, enquanto o Centro-Oeste teve a menor variação, de 0,32%. Todos os 27 estados brasileiros tiveram aumento no preço dos usados. Minas Gerais liderou o movimento, com alta de 1,64% no mês, enquanto Mato Grosso do Sul registrou a menor variação, de 0,09%.
No acumulado em 12 meses, Minas Gerais (8,48%), Rio de Janeiro (7,20%), Sergipe (7,08%) e Piauí (7,06%) apresentaram as maiores altas do país. Na outra ponta, Mato Grosso (4,34%), São Paulo (5,27%) e Santa Catarina (5,38%) registraram variações mais moderadas.
Minas Gerais lidera alta dos preços e impulsiona avanço do Sudeste
No caso de Minas Gerais, modelos de maior volume de comercialização no mercado, caso do Chevrolet Onix e do Volkswagen Gol, tiveram mais que o dobro da valorização observada na média nacional durante o primeiro semestre, o que contribuiu para a inflação maior na região Sudeste em relação às demais do país.
Os veículos que mais contribuíram para a aceleração do índice nacional em junho foram o Renault Kwid, o VW Fox e o GM Onix. Por outro lado, modelos como o Honda HR-V, VW T-Cross e Hyundai HB20 exerceram pressão negativa sobre o indicador no período.
Para o vice-presidente de Varejo do banco BV, Jamil Ganan, a composição do índice mostra um mercado mais heterogêneo e seletivo. “A valorização dos usados continua presente, mas depende cada vez mais das características de cada modelo e das dinâmicas regionais. O comportamento do mercado tem sido menos uniforme e mais sensível às preferências dos consumidores”, afirma.
Elétricos seguem com desvalorização mais intensa no mercado de usados
O levantamento também mostra que o tipo de propulsão continua influenciando diretamente a manutenção do valor dos veículos no mercado de usados. Os modelos elétricos lançados em 2023 acumulam desvalorização de 46,1% até junho de 2026, movimento influenciado pela queda nos preços dos veículos novos, pelo aumento da concorrência e pelas estratégias agressivas de precificação adotadas pelas montadoras para ampliar participação no segmento.
No mesmo período, os híbridos acumulam desvalorização média de 26,1%, enquanto os automóveis a combustão comparáveis registram perda de valor de 19,6%. Entre os modelos lançados em 2022, a desvalorização média dos elétricos alcança 50,5%, enquanto os híbridos acumulam queda de 19,3% e os automóveis a combustão comparáveis registram desvalorização de 13,2%.















