Saiba porque as Casas Bahia entraram em recuperação extrajudicial

Com prejuízo nos últimos seis trimestres, as Casas Bahia têm recorrido a corte de custos e retorno às bases de seus períodos de maior sucesso

Neste domingo, 28/04, as Casas Bahia anunciaram a entrada em recuperação extrajudicial para renegociar junto a seus credores uma dúvida na casa dos R$ 4,1 bilhões.

O anúncio veio na esteira de um dos períodos mais turbulentos da história da empresa que, nos últimos 12 meses, viu o valor de mercado de sua ação despencar mais de 80%. Pior, aliás, do que a queda na precificiação do seu ticker, é o fato deste movimento ter tido como sustentação principal os números operacionais da varejista e não de questão especulativas e/ou conjunturais.

Para compreender como as Casas Bahia chegaram até aqui, é preciso fazer uma espécie de regressão no tempo.

Era 2009 quando a família Klein vendeu o controle de sua gigante varejista ao Grupo Pão de Açúcar – em um movimento que mudaria radicalmente a história da empresa. Isso porque, para além da mudança de ‘tomador de decisão’, as Casas Bahia sofreram alterações sensíveis em questões como posicionamento de marca e relacionamento com o mercado de ações.

De lá para cá, por exemplo, a empresa fundiu suas operações com Ponto Frio e Extra, outras marcas do varejo de eletroeletrônicos junto das quais formou a ‘Via Varejo’. Além disso, a companhia que até então não tinha ações negociadas, passou a ter mais de 1/4 de seus papéis negociados livremente na Bolsa.

Seria injusto dizer que a ‘mudança de rota’ foi responsável pela crise que a varejista atravessa atualmente. Afinal, muita coisa aconteceu de lá para cá em termos conjunturais, setoriais e sociais.

Fato é, no entanto, que foi como ‘VIA’ que as Casas Bahia viveram seus piores momentos – como mostra essa sequência de dados acumulados nos últimos meses:

  • Prejuízo de R$ 1 bilhão no 4º TRI de 2023
  • 6 TRI consecutivos de prejuízo
  • Queda de 12% nas vendas do 4º TRI de 2023 em relação à 2023.

É inegável que a situação atual gritava por mudança e o caminho escolhido foi o de retornar às origens. Entre as ações para tal, as Casas Bahia já recorreram a: mudança do ticker na Bolsa para BHIA3 (reconectando-se com seu nome original; recontratação do do antigo garoto-propaganda; retomada do slogan ‘Dedicação total a você’.

É claro que este retorno às bases inaugurais não chega sozinho e vem acompanhado de uma espécie de fechamento da torneira dos custos que inclui movimentos como o fechamento de 55 lojas físicas e a reduçõ de 18% dos custos com pessoal.

Vale apontar que as novas sinalizações das Casas Bahia, encabeçadas pelo anúncio da recuperação extrajudicial, foram bem recebidas pelo mercado e resultaram em uma valorização de 20% de sua ação até a tarde desta segunda-feira (29).