Sindilojas: estoques altos do varejo paulistano voltam a acender alerta

Estoques Altos no Varejo Paulistano Acendem Alerta, Aponta Sindilojas

Não é de hoje que o Sindilojas-SP chama a atenção dos empresários do varejo para a importância de uma gestão eficiente de estoques. No fim das contas, uma boa venda começa em uma boa compra. E comprar bem não é só conseguir um bom preço com o fornecedor: é acertar na quantidade, no momento da compra, no prazo de pagamento e na velocidade com que aquela mercadoria volta a se transformar em receita.

Esse tema fica ainda mais crítico em um cenário de vendas enfraquecidas. No primeiro semestre de 2026, o faturamento bruto real do varejo paulistano caiu 8,8%. Quando o consumidor compra menos, um erro na formação dos estoques deixa de ser apenas um problema operacional e passa a pressionar diretamente o caixa da empresa.

Indicador

O indicador de adequação de estoques da FecomercioSP ajuda a dimensionar o tamanho do desafio. Numa escala de 0 a 200 pontos, o nível 100 separa a percepção de estoques inadequados daquela considerada adequada. Em setembro, o índice recuou para 103,8 pontos, o menor nível desde junho de 2021. Mais preocupante ainda: apenas 51,6% dos empresários consultados disseram ter estoques adequados, também o menor percentual desde junho de 2021.

O movimento entre quem considera seus estoques inadequados também merece atenção. Em setembro, 28,9% afirmaram estar acima do nível adequado, o maior percentual desde março de 2023. Em outras palavras, cresce o número de empresas carregando produtos além do que julgam necessário diante do ritmo atual das vendas.

Para o varejista, isso significa capital de giro imobilizado. O dinheiro que poderia estar disponível para pagar fornecedores, salários, aluguel, impostos ou financiar novas compras fica parado nas prateleiras, no estoque ou no centro de distribuição. E, quanto mais tempo a mercadoria permanece encalhada, maior é o risco de descontos agressivos, liquidações, perda de valor e compressão da margem para transformá-la novamente em caixa.

Conexão na gestão

Por isso, a gestão de estoques precisa estar diretamente ligada à estratégia de mix de produtos e ao histórico de vendas da empresa. Num momento em que caixa e liquidez são vitais, o empresário precisa avaliar se a composição atual do estoque está priorizando itens com maior potencial de giro. Isso não significa abandonar produtos de menor saída, que podem ser importantes para a estratégia comercial, mas dimensioná-los de acordo com sua real capacidade de venda e com o capital que consomem.

Nesse processo, informação é ferramenta central. O histórico de vendas e de estoques de períodos anteriores permite identificar padrões de sazonalidade, antecipar demandas específicas e evitar compras excessivas. Da mesma forma, o acompanhamento diário das vendas mostra rapidamente quais produtos estão girando acima ou abaixo do esperado, permitindo corrigir o rumo das compras antes que o excesso de estoque se converta em problema de caixa.

A situação fica ainda mais delicada quando a empresa precisa recorrer ao crédito para compensar a falta de liquidez. Segundo o Banco Central, a taxa média anual de juros das operações de crédito com recursos livres para pessoas jurídicas chegou a 25,36% em julho, o maior nível desde meados de 2017. Em outras palavras, um estoque mal dimensionado pode acabar sendo financiado a um custo muito alto.

De olho no último trimestre

O alerta ganha peso especial às vésperas do último trimestre do ano. O varejo da Capital ainda aposta em uma recuperação das vendas no período de maior movimento do calendário, mas isso não significa que qualquer aumento de estoque seja justificável. O desafio será se preparar para uma eventual melhora da demanda sem repetir erros de compra e sem carregar para 2027 mercadorias que não encontraram comprador.

No varejo, estoque demais custa dinheiro. Estoque de menos pode significar perda de vendas. O ponto de equilíbrio está em comprar aquilo que o negócio consegue vender, no momento em que consegue vender e sem comprometer o caixa. Em um ambiente de consumo mais cauteloso e crédito caro, essa diferença é decisiva para transformar faturamento em resultado — e venda em caixa.