Não é só no segmento de veículos leves que o usado ganha espaço quando o zero-quilômetro fica distante por causa dos preços altos ou de um cenário econômico adverso. No mercado de caminhões, a lógica é a mesma – e os números do primeiro semestre mostram isso com clareza.
Entre janeiro e junho, as vendas de veículos pesados novos caíram 9,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Na contramão, muitos transportadores recorreram aos seminovos e usados para ampliar ou renovar a frota.
O resultado foi um salto expressivo: o volume de caminhões de segunda mão vendidos cresceu cerca de 300% em comparação com 2025, somando 289.368 unidades negociadas, segundo dados da Fenauto (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores).
O preço do caminhão zero não explica sozinho esse movimento, assim como o crédito mais restrito também não conta toda a história. O próprio mercado de novos alimentou o avanço dos usados, já que muitos caminhões em operação entraram como parte do pagamento na compra de modelos zero-quilômetro.
“Nós vimos no primeiro semestre um forte impulso dos usados no mercado porque foi neste período que as vendas de modelos novos aumentaram por causa dos incentivos do programa Move Brasil”, afirma Marcelo Franciulli, diretor executivo da Fenabrave, entidade que representa o setor de distribuição de veículos no país. “Muitos dos caminhões comprados por meio do programa tiveram um usado como moeda no momento de fechar o negócio”, completa.
No recorte por tipo de veículo, os caminhões pesados lideraram as vendas, refletindo a demanda do transporte rodoviário de longa distância. Entre os destaques, aparecem modelos já consagrados pela robustez e pela boa liquidez. Caso do Volvo FH, que somou 16 mil unidades negociadas no mercado de usados no primeiro semestre e também lidera entre os pesados zero-quilômetro.
Na segunda posição aparece o Ford Cargo, com 13.589 unidades vendidas, ainda forte no mercado mesmo após o encerramento das operações industriais da marca no Brasil. Em seguida vem o Mercedes-Benz Axor, com 8.074 unidades comercializadas.
Apesar do desempenho expressivo na primeira metade do ano, o mesmo ritmo pode não se repetir no segundo semestre. “A estabilidade do mercado é um sinal de resiliência do setor no período de realização da Copa do Mundo, quando a atividade financeira geral sofre uma desaceleração temporária”, avalia Everton Fernandes, presidente da Fenauto.
“Ainda teremos um novo desafio pela frente, com as eleições em outubro, mas mantemos as nossas previsões de um novo possível recorde de vendas até o final do ano”, projeta.
O movimento de alta também se repetiu entre picapes e comerciais leves usados. Segundo a Fenauto, foram vendidas 1,034 milhão de unidades no primeiro semestre, alta de 9,8% em comparação ao mesmo período de 2025. Puxaram o segmento principalmente Fiat Strada (216.806 unidades), Volkswagen Saveiro (127.865) e Toyota Hilux (104.245).















