- Entidade teve papel técnico na evolução de políticas públicas e tecnologias no setor automotivo
- Atualmente, entre os principais avanços em discussão, estão a futura fase Proconve MAR-2, voltada a máquinas fora de estrada, e a evolução das regras para sistemas de geração de energia
A Associação dos Fabricantes de Equipamentos para Controle de Emissões Veiculares da América do Sul (AFEEVAS) completa, em abril de 2026, 25 anos de atuação. Ao longo desse período, a entidade contribuiu para a evolução de políticas públicas e para a adoção de tecnologias que ajudaram a reduzir as emissões de poluentes tóxicos de motores a combustão, veículos e máquinas autopropelidas.
A atuação da AFEEVAS se consolidou pela produção de conhecimento técnico voltado ao controle de emissões, pela atuação conjunta de suas associadas com montadoras no desenvolvimento de sistemas cada vez mais eficientes e pelo diálogo com diferentes frentes — órgãos de governo, poder legislativo, indústria, instituições de pesquisa, universidades e organizações da sociedade civil.
Essa contribuição está associada a marcos como a evolução do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve) e do Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares (Promot).
Entre os exemplos mais relevantes está a negociação e implementação do controle de emissões evaporativas (sistema ORVR), incorporado à fase PL7, legislação para veículos leves que entrou em vigor em 2022, após discussões conduzidas entre indústria e governo. O sistema é responsável por reduzir a emissão de vapores tóxicos e poluentes liberados durante o abastecimento.
Outro avanço importante foi a introdução dos catalisadores de redução seletiva (SCR) para motores a diesel, no âmbito do PROCONVE P7, em 2012. A tecnologia permite reduzir em até 95% as emissões de óxidos de nitrogênio (NOx), ao mesmo tempo em que viabiliza ganhos de eficiência energética.
A AFEEVAS também teve papel técnico na introdução do diesel S-10 no Brasil, ao produzir evidências sobre a necessidade de combustíveis de baixo teor de enxofre para o funcionamento adequado e maior durabilidade dos sistemas de pós-tratamento de emissões.
Outro avanço relevante foi o apoio à implementação da homologação compulsória de catalisadores no mercado de reposição, em conjunto com o Inmetro, medida que contribui para a manutenção dos níveis de emissões ao longo da vida útil dos veículos.
“Esse processo não apenas trouxe ganhos ambientais expressivos, como também impulsionou a modernização do parque industrial automotivo, estimulou o desenvolvimento tecnológico, elevou a qualidade dos combustíveis e contribuiu para a formação de mão de obra especializada”, afirma Stephan Blumrich, diretor adjunto da associação. “Celebrar os 25 anos da AFEEVAS é reconhecer a importância de um trabalho técnico consistente, que ajudou a transformar a legislação em benefícios concretos para a sociedade.”
Atualmente, a AFEEVAS reúne nove empresas responsáveis pelo desenvolvimento de tecnologias essenciais para o controle de emissões: Alkegen, BASF, Corning, Cummins, Forvia, Johnson-Matthey, NGK, Tenneco e Umicore.
Avanços na regulação
Com a evolução das tecnologias automotivas, o perfil das emissões também mudou. Veículos que antes eram grandes emissores passaram a ter impacto reduzido, enquanto outras fontes ganham relevância na agenda ambiental.
Entre os principais avanços em discussão está a futura fase do Proconve MAR-2, voltada a máquinas fora de estrada, como equipamentos agrícolas e de construção. A regulamentação deverá exigir a adoção de sistemas de pós-tratamento de emissões, com potencial de redução de até 90%. Atualmente, a proposta está em consulta pública.
Outro tema relevante é a evolução das regras para sistemas estacionários de geração de energia, especialmente grandes geradores utilizados em aplicações como data centers. A proposta prevê a adoção de tecnologias de controle de emissões com base em referências internacionais.
Novos desafios regulatórios
A AFEEVAS também tem contribuído com estudos técnicos sobre temas emergentes, como o controle de partículas em motores Otto com injeção direta de combustível (GDI) a gasolina e etanol. Um artigo técnico recente da entidade aponta que a evolução dos motores, com a adoção da injeção direta, traz ganhos de eficiência energética, mas também impõe novos desafios relacionados à emissão de material particulado fino, com maior potencial de impacto à saúde. O tema segue tendência internacional e deve avançar nos próximos ciclos regulatórios, como o PL9.
“Do ponto de vista tecnológico, uma das soluções mais eficazes para a redução dessas emissões é a aplicação de filtros de partículas em veículos com motores GDI, tecnologia já consolidada em outras regiões do mundo e em motores a diesel”, explica Blumrich.
Além disso, a composição do combustível também exerce influência relevante nesse cenário. “Estudos técnicos utilizados pela AFEEVAS indicam que o uso de etanol pode contribuir para a redução das emissões de material particulado em motores de injeção direta, devido às suas características físico-químicas”, conta Blumrich. “Nesse contexto, o etanol se apresenta como alternativa complementar no enfrentamento desse desafio.”
















