Enquanto Estados Unidos e Irã negociam uma saída para o conflito no Oriente Médio, os efeitos da crise começam a se espalhar de forma mais consistente pelos mercados globais. Diante da incerteza sobre até onde pode ir a alta do petróleo, agentes econômicos já trabalham com a perspectiva de um futuro em que a commodity permanece mais cara. Hoje, o barril do Brent está cotado, em média, a R$ 111.
Se as bolsas de valores ainda sentem menos o impacto, protegidas pelo peso de setores como semicondutores e Inteligência Artificial (IA), a chamada economia real já começa a acusar o golpe. Para o Conselho Superior de Economia, Sociologia e Política (CSESP), os reflexos devem aparecer em breve nos juros, na inflação e até nos números de emprego. A análise está detalhada na Carta de Conjuntura de maio, disponível na íntegra na publicação do Conselho.
O documento aponta que o Brasil deve enfrentar uma alta de preços nos próximos meses, puxada por uma combinação de fatores internos e externos. De um lado, o gasto público permanece em nível elevado, o que injeta mais recursos na economia, mas aumenta a pressão sobre preços de produtos e serviços. De outro, o El Niño deve prejudicar safras agrícolas, com impacto direto sobre os alimentos.
“A inflação será, de novo, um problema para o Brasil”, avalia Antonio Lanzana, economista e presidente do CSESP. “Além de fatores estruturais, como o mercado de trabalho aquecido pressionando o setor de serviços e a expansão descontrolada dos gastos públicos, que gera um choque de oferta, a guerra no Oriente Médio apenas agrava esse quadro”, completa.
A Carta de Conjuntura também analisa em detalhe os indicadores da economia chinesa e traz orientações para que empresas possam estruturar o planejamento de médio prazo, com foco em 2027.
















