Motoristas de aplicativo e taxistas já aprovados na plataforma do programa Move Brasil, do governo federal, podem procurar as concessionárias credenciadas para iniciar a análise de crédito para compra de veículos incluídos na lista de modelos financiáveis. A própria revenda é responsável por encaminhar o pedido à instituição financeira que avaliará e aprovará (ou não) o financiamento.
O programa prevê prazo máximo de 72 meses para pagamento, com possibilidade de carência de até seis meses. Dos R$ 30 bilhões disponibilizados em linha de crédito, há uma reserva mínima de R$ 3 bilhões destinada especificamente a taxistas.
Há ainda condições diferenciadas para mulheres. A taxa de juros mensal para esse público é um pouco menor: até 0,91% ao mês, ante o teto de 0,99% ao mês aplicado aos homens. Do total de recursos do programa, pelo menos R$ 3 bilhões são reservados para motoristas do sexo feminino.
Podem solicitar o crédito motoristas de aplicativo com cadastro ativo na mesma plataforma há pelo menos 12 meses e que tenham realizado, nesse período, no mínimo 100 corridas. No caso dos táxis, é necessário ser taxista registrado e em atividade.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, responsável pelo programa, o financiamento vale para carros novos de até R$ 150 mil. Os veículos precisam ser flex, híbridos flex, elétricos ou movidos exclusivamente a etanol. No total, são 42 modelos de 11 montadoras credenciadas.
O pedido de financiamento é feito pelo site gov.br/movebrasil. Para motoristas de aplicativo, a validação da elegibilidade é feita pela própria plataforma em que trabalham. Para taxistas, a checagem fica a cargo da Receita Federal. Em até cinco dias úteis após a solicitação, o interessado recebe, na caixa postal do gov.br, a resposta sobre o enquadramento nas regras do programa.
As montadoras habilitadas são BYD, Chevrolet, Volkswagen, GWM, Honda, Hyundai, Nissan, Renault, Geely, Stellantis e Toyota. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) indicam que, em maio, foram produzidos 253,6 mil autoveículos, alta de 15,2% em relação ao mesmo mês de 2025 e o melhor resultado para o período desde 2019, antes da pandemia. Com isso, a marca de 1 milhão de unidades produzidas no ano foi superada já em maio, um mês antes do registrado em 2025. As 1.126,4 mil unidades acumuladas representam crescimento de 7,1% frente aos cinco primeiros meses do ano passado.
O avanço da produção ocorre em um cenário de endividamento elevado das famílias. Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que 81,6% dos lares relataram ter dívidas a vencer em cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal ou financiamentos. O índice de inadimplência (dívidas em atraso) foi de 29,9%, e 12,3% dos entrevistados disseram não ter condições de quitar seus débitos. Segundo a entidade, 9,3% dessas dívidas estão relacionadas a financiamento de veículos.

















