Varejo investe em IA para aprimorar o atendimento ao consumidor

Varejo brasileiro lidera adoção de IA e avança na automação de documentos

O varejo brasileiro está entre os segmentos que mais incorporam inteligência artificial (IA) em suas operações. De acordo com estudo da Mordor Intelligence, o mercado global de IA no varejo deve alcançar US$ 96,13 bilhões até 2030. No Brasil, a tecnologia já é rotina em atendimento ao cliente, marketing e análise de comportamento do consumidor, mas começa a ganhar espaço também em áreas menos visíveis da operação.

Segundo Rodrigo Grossi, especialista em IA e COO da Dynadok, o uso da tecnologia vem avançando em processos como troca de produtos, gestão de fornecedores e controle fiscal. Nessas frentes, a validação automatizada de documentos já atinge cerca de 90% de assertividade, reduzindo retrabalho e tempo de análise.

A Dynadok, startup focada em automação de validação de documentos por IA, vem ampliando sua atuação junto ao varejo. Um dos exemplos apontados pela empresa é o atendimento ao consumidor que retorna com um produto com defeito: o vendedor registra imagens e notas fiscais e envia tudo diretamente ao fabricante. A IA valida as informações e pode autorizar a substituição do item em minutos, eliminando etapas tradicionais de análise manual e troca de e-mails.

“O varejo lida diariamente com um volume enorme de documentos, de notas fiscais e comprovantes a cadastros e laudos. A automação adiciona uma camada de eficiência e segurança que antes era impraticável em grande escala”, afirma Grossi.

Os planos de expansão dessa tecnologia encontram terreno fértil. De acordo com o relatório Connected Shoppers Report, da Salesforce, 73% dos varejistas brasileiros pretendem aumentar seus investimentos em IA. Cerca de 82% acreditam que a tecnologia será determinante para manter a competitividade já no próximo ano. Entre os consumidores, 75% se mostram interessados em ver IA aplicada a programas de fidelidade, enquanto 72% enxergam valor no uso da tecnologia para melhorar o atendimento e acelerar respostas.

Outro campo em crescimento é a checagem de fornecedores. Redes de supermercados, farmácias e lojas de departamento precisam garantir que seus parceiros mantenham CNPJ, certidões e licenças em dia. A plataforma da Dynadok automatiza essa verificação, reduzindo o risco de relacionamento com empresas irregulares e eventuais sanções legais.

A mesma lógica se aplica a crediários e programas de fidelidade. A IA valida em segundos documentos de identidade, comprovantes de renda e de endereço de clientes, acelerando a aprovação e ajudando a conter fraudes de identidade, um problema recorrente em operações de varejo físico e digital.

Na logística, a validação automatizada já começa a ser aplicada ao fluxo de entrada de mercadorias em centros de distribuição. A liberação de produtos depende do cruzamento de notas fiscais, laudos de qualidade e comprovantes de transporte. Com IA, o sistema confere esses documentos antes da entrada efetiva da carga, reduzindo erros fiscais e agilizando o processo de recebimento.

Em segmentos regulados, como o farmacêutico e o de cosméticos, a tecnologia também ajuda a garantir conformidade com normas da Anvisa, validando receitas médicas digitalizadas, autorizações e licenças sanitárias, e reduzindo o risco de falhas em auditorias.

Para Grossi, esse movimento é irreversível. “A digitalização deixou de ser tendência e passou a ser necessidade operacional. O que fazemos é eliminar o gargalo entre o documento físico ou digital e uma validação confiável, com alto índice de acerto e ganho de produtividade”, destaca.

Fundada em 2024, a empresa mineira já atende segmentos como educação, construção civil, saúde e seguros, e enxerga no varejo um dos mercados mais promissores para a expansão de suas soluções baseadas em inteligência artificial.