A gigante do setor sucroenergético Copersucar deu início a um movimento ambicioso que promete redesenhar a logística pesada no Brasil e forçar uma reconfiguração nas estratégias das principais montadoras de caminhões. Através de seu projeto estratégico BioRota, a companhia planeja substituir gradualmente sua frota terceirizada por veículos movidos a biometano, com uma meta inicial de colocar 500 caminhões a gás em operação no curto prazo. Este plano não apenas visa a descarbonização da cadeia de transporte, mas também busca reduzir a histórica dependência do diesel em um dos corredores logísticos mais importantes do país.
A estratégia da Copersucar baseia-se em um modelo de economia circular onde a companhia atua como o elo central de uma rede de benefícios mútuos. Enquanto a empresa garante o volume de carga e o fornecimento do biocombustível — produzido a partir da vinhaça nas suas 42 usinas associadas —, as transportadoras parceiras assumem o investimento na aquisição dos novos veículos. Atualmente, cerca de 15% da frota que atende a companhia já opera com biometano, mas a meta é que, na próxima década, a totalidade das usinas do ecossistema produza o gás, permitindo que quase 100% da operação rodoviária seja convertida para a matriz limpa.
O entusiasmo do setor com essa transição é sustentado por números robustos tanto na esfera econômica quanto na ambiental. Dados do setor apontam que o biometano pode proporcionar uma redução de custos no valor do frete entre 20% e 30% em comparação ao diesel convencional, um diferencial competitivo vital para o agronegócio. Além da economia financeira, a substituição é um pilar fundamental para as metas de ESG (Ambiental, Social e Governança) da companhia, uma vez que o biocombustível reduz em até 90% as emissões de gases de efeito estufa, alinhando-se às exigências cada vez mais rigorosas dos mercados internacionais que consomem o açúcar e o etanol brasileiros.
Esse cenário de transição energética acirrou drasticamente a disputa entre as montadoras instaladas no Brasil, que agora correm para atender a essa demanda crescente por veículos pesados a gás. A Scania, que saiu na frente ao apostar precocemente nessa tecnologia, já colhe frutos de parcerias com transportadoras da rede Copersucar, como a ReiterLog. No entanto, o domínio da marca sueca tem sido desafiado pela Iveco, que intensificou a oferta de sua linha Natural Power, e por fabricantes como Volvo e Mercedes-Benz, que se veem pressionadas a adaptar seus portfólios para não perderem espaço em contratos de frete de alta escala.
O avanço desse projeto ocorre em um momento regulatório favorável, impulsionado pela recentemente aprovada Lei do Combustível do Futuro, que estabelece diretrizes claras para o consumo de biometano no país. Para a liderança da Copersucar, a utilização da vinhaça para a produção de combustível representa o amadurecimento natural da indústria sucroenergética. Com a superação gradual dos desafios de infraestrutura e abastecimento, a competição entre as montadoras deve se deslocar da simples oferta do produto para a eficiência no pós-venda e na manutenção, consolidando o biometano como o protagonista das rotas logísticas entre o interior paulista e o Porto de Santos.

















