Engenharia local e uso de biocombustíveis colocam o país em posição estratégica para a descarbonização no transporte pesado
O Brasil pode se consolidar como um polo de desenvolvimento e exportação de soluções para descarbonização do transporte pesado, especialmente para países com características semelhantes de infraestrutura e perfil econômico. A avaliação é do Presidente e CEO da Operação Industrial da Scania no Brasil, Christopher Podgorski. O assunto foi um dos temas da participação do executivo no Conexão MBCBrasil – A Mobilidade em Pauta, podcast do Instituto MBCBrasil.
Segundo Podgorski, tecnologias desenvolvidas e validadas no país já começam a ganhar relevância global, especialmente aquelas adaptadas às condições operacionais locais.
“Estou convencido de que as soluções que estão sendo desenvolvidas, aperfeiçoadas, testadas e validadas aqui nas condições brasileiras vão ser excelentes soluções em outras partes do planeta”, afirmou o executivo durante a discussão.
A avaliação parte da premissa que mercados emergentes compartilham desafios estruturais semelhantes aos do Brasil, como limitações de infraestrutura e maior dependência de soluções economicamente viáveis no curto prazo.
Nesse contexto, a adoção de tecnologias baseadas em biocombustíveis e motores a combustão mais eficientes tende a ser mais aderente do que modelos baseados exclusivamente em eletrificação.A própria engenharia da companhia já reflete esse movimento. Embora o desenvolvimento tecnológico seja global, parte das soluções é criada e adaptada no Brasil, com aplicação internacional. “Temos projetos delegados à engenharia brasileira, e as soluções encontradas aqui são aplicadas globalmente”, destacou.
Um dos exemplos mais concretos dessa abordagem está no uso do biometano. A tecnologia permite o aproveitamento de infraestruturas já existentes, como redes de gás natural, reduzindo a necessidade de novos investimentos e acelerando a adoção. “Você resolve um problema ambiental e oferece, a baixo custo, uma solução energética renovável que pode utilizar a infraestrutura já existente”, explicou.
O executivo também destacou que o potencial de produção de biometano no Brasil é significativo, com possibilidade de expansão relevante nos próximos anos, embora não seja uma solução única para todo o território.
Além do agronegócio, a produção a partir de resíduos urbanos e aterros sanitários foi apontada como uma oportunidade relevante, ampliando a base de oferta e reforçando o caráter regional das soluções energéticas.
A discussão também reforçou que a transição energética no transporte pesado não será homogênea dentro do próprio país. Diferentes regiões devem adotar rotas distintas, conforme disponibilidade de infraestrutura e perfil de demanda. “Não existe uma solução única nem para o Brasil. Existe uma sub-regionalização, com realidades diferentes entre Sul-Sudeste, Centro-Oeste e regiões costeiras”, afirmou.
Nesse cenário, o Brasil passa a ocupar uma posição estratégica, de ser mais do que um mercado consumidor de tecnologias importadas, mas poder atuar como desenvolvedor de soluções aplicáveis a outras economias do chamado Sul Global.
A combinação entre engenharia local, disponibilidade de biocombustíveis e adaptação às condições reais de operação posiciona o país como um dos principais candidatos a liderar esse modelo de descarbonização fora dos grandes centros desenvolvidos.

















