A instabilidade no tráfego de navios no Estreito de Ormuz – rota por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo – já se reflete de forma direta no bolso e na operação do setor automotivo. A alta no preço do petróleo e o risco de interrupções no fornecimento de derivados começam a pressionar a cadeia, do chão de oficina às linhas de montagem.
A mais recente edição da pesquisa Onda – Oscilações nos Níveis de Abastecimento e Preços – captura com clareza esse movimento. Segundo os varejistas ouvidos, o óleo lubrificante desponta como o item com maior índice de falta e de reajustes, liderando o ranking de preocupação nas prateleiras do mercado de reposição.
Apuração exclusiva do Aftermarket Automotivo confirma que o problema já não se limita ao varejo. Montadoras instaladas no Brasil também relatam dificuldades crescentes para garantir o abastecimento regular de lubrificantes, o que acende um sinal de alerta em toda a cadeia produtiva.
Se a crise se prolongar, ganha força um cenário até pouco tempo visto como remoto: veículos 0 km parados nos pátios das fábricas por falta de lubrificante para motores e transmissões. Outra possibilidade em estudo é a priorização do fornecimento para as linhas de montagem, medida que preservaria a produção, mas ampliaria o impacto negativo sobre o mercado de reposição, com maior escassez e pressão adicional sobre preços em oficinas, varejistas e distribuidores.

















