O Pix se consolidou como o principal meio de pagamento nas liquidações imediatas no País, sobretudo nas operações à vista, de menor valor e maior recorrência. Estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), com base em dados do Banco Central (BC), mostra que o volume movimentado pelo sistema cresceu 34% em termos nominais entre 2024 e 2025, passando de R$ 26,4 trilhões para R$ 35,3 trilhões.
Considerando apenas o quarto trimestre, o avanço é ainda mais expressivo: entre o fim de 2023 e o fim de 2025, o volume transacionado via Pix quase dobrou, com alta de 93%. A modalidade, ao permitir liquidação praticamente instantânea e reduzir a dependência dos prazos de recebimento do cartão, melhora de forma direta o fluxo de caixa das empresas, em especial pequenos negócios, oficinas, concessionárias, autopeças e prestadores de serviços automotivos.
Cartão de crédito segue essencial para o consumo
Mesmo com a escalada do Pix, o cartão de crédito mantém papel central no consumo das famílias, em grande parte por causa do parcelamento e da flexibilidade de pagamento, que ampliam o poder de compra no curto prazo.
De acordo com o estudo, o volume nominal transacionado no crédito cresceu 14% entre 2024 e 2025, de R$ 2,6 trilhões para R$ 3 trilhões. Na comparação entre os quartos trimestres de 2023 e 2025, o aumento foi de 30%, com avanço de R$ 630,7 bilhões para R$ 821,3 bilhões em valores movimentados.
Queda gradual do MDR melhora margens
Com o uso ainda intenso dos cartões, a redução da taxa de desconto cobrada dos estabelecimentos (MDR, do inglês Merchant Discount Rate) vem aliviando, aos poucos, o custo dos meios de pagamento para os lojistas. O efeito é mais sensível em segmentos que concentram grande parte das vendas no cartão, como comércio de veículos, peças e serviços, em que a margem muitas vezes é pressionada.
Entre o terceiro trimestre de 2024 e o mesmo período de 2025, as taxas médias caíram nas três funções do cartão: crédito, débito e pré-pago. O crédito continua sendo a modalidade mais cara; o débito, a mais barata; e o pré-pago, intermediário.
Esse movimento reflete maior concorrência entre credenciadoras, ganhos de escala, amadurecimento tecnológico e, principalmente, a pressão competitiva do Pix. O MDR do crédito recuou de 2,36% em 2022 para 2,15% em 2025. No débito, as taxas caíram de patamares acima de 1,16% para 1,08%. No pré-pago, o índice passou de 1,68%, em 2021, para 1,47% em 2025.
Na avaliação da FecomercioSP, a disputa com o Pix e a busca por eficiência devem manter a pressão de baixa sobre os custos dos cartões, ainda que de forma gradual.
Parcelamento e vendas online seguem mais caros
Apesar da tendência de queda do MDR, o parcelamento continua sendo um dos principais fatores de encarecimento do cartão de crédito. Isso exige das empresas decisões mais criteriosas sobre o número de parcelas, a diferenciação por tipo de produto ou serviço, o canal de venda e o perfil do cliente, além da revisão das políticas de “parcelado sem juros”.
Os dados do BC mostram que, quanto maior o número de parcelas, maior tende a ser a taxa de desconto para o lojista, o que impacta diretamente a formação de preços. Em segmentos de maior tíquete médio do setor automotivo — como serviços complexos de oficina, venda de veículos, reparos estruturais ou pacotes de manutenção — esse custo financeiro precisa ser monitorado de perto.
A tecnologia empregada na captura das transações também pesa na conta. As operações online permanecem como as mais caras, em razão de maior risco operacional e de fraude. Os pagamentos recorrentes — muito presentes em serviços de assinatura, manutenção programada e planos de serviços — cresceram 11% e exigem atenção adicional na gestão de cancelamentos, inadimplência e contestação de compras. Já os pagamentos por aproximação ficaram estáveis, enquanto os canais presenciais eletrônicos (chip e tarja) seguem como as formas mais eficientes em termos de custo.
Segundo a FecomercioSP, as taxas mais elevadas no crédito parcelado e nas vendas online mostram que o custo financeiro ainda tem peso relevante na precificação. Com o avanço do e-commerce — que, em geral, apresenta custo de aceitação mais alto — as empresas precisam aprimorar a gestão de preços, fretes, ferramentas antifraude e combinação de meios de pagamento. Entre as estratégias recomendadas estão incentivar opções mais baratas (como Pix à vista), usar o parcelamento com maior critério e acompanhar de perto o impacto das vendas online nas margens.
Concorrência entre meios aumenta eficiência e opções
O avanço do Pix, a permanência do cartão de crédito e a tendência de redução dos custos de aceitação dos pagamentos eletrônicos já estão modificando o dia a dia do comércio e dos serviços. Essa transformação aparece no volume de vendas, na estrutura de custos, no fluxo de caixa e na competitividade, inclusive em toda a cadeia do setor automotivo — da indústria ao pós-venda.
A expansão do Pix não aponta para o fim do cartão, mas tende a substituir gradualmente meios menos eficientes. Ao mesmo tempo, intensifica a concorrência entre as soluções de pagamento e amplia o poder de escolha das empresas na definição de suas estratégias de recebimento, negociando taxas, prazos e modelos de cobrança mais alinhados ao seu tipo de operação e ao perfil de seus clientes.

















